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Da linha de frente do SUS a Brasília: a luta da Enfermagem por valorização (Coluna da ASERGHC)

16 de março de 2026
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ASERGHC (*)
Nesta semana, trabalhadoras e trabalhadores da Enfermagem de todo o país se reúnem em Brasília para a Marcha Nacional pela Valorização da Enfermagem. O ato leva profissionais, estudantes e entidades representativas à Esplanada dos Ministérios para defender duas pautas centrais da categoria: o reajuste do piso salarial e a aprovação da PEC 19, que prevê a correção inflacionária do piso e sua vinculação a uma jornada de 30 horas semanais.
A mobilização ocorre em um momento em que a Enfermagem enfrenta um paradoxo. A categoria conquistou, após anos de mobilização, o reconhecimento de um piso salarial nacional. No entanto, sem mecanismos de correção inflacionária, esse avanço corre o risco de perder efetividade ao longo do tempo.
Estima-se que, em apenas três anos, o piso da Enfermagem já tenha perdido mais de 20% do seu poder de compra. Na prática, isso significa que uma conquista histórica da categoria pode se tornar insuficiente para garantir a valorização real desses profissionais.
É nesse contexto que surge a importância da PEC 19, proposta que busca assegurar a atualização do piso conforme a inflação e vincular seu cálculo a uma jornada de 30 horas semanais. A pauta não é nova. A redução da jornada é uma reivindicação histórica da Enfermagem, ligada não apenas à valorização profissional, mas também às próprias condições de trabalho em um setor marcado por jornadas intensas e grande desgaste físico e emocional.
Em hospitais e unidades de saúde de todo o país, são essas profissionais que permanecem na linha de frente do cuidado. São elas que acompanham pacientes durante longos plantões, realizam procedimentos essenciais, monitoram sinais vitais, acolhem familiares e garantem a continuidade do atendimento.
Instituições de saúde dependem profundamente desse trabalho. No Grupo Hospitalar Conceição, a Enfermagem constitui uma parte fundamental da estrutura que sustenta o atendimento hospitalar. Enfermeiras, técnicas e auxiliares estão presentes em praticamente todas as etapas do cuidado prestado à população.
Hoje, a jornada predominante da Enfermagem em muitos serviços de saúde é de 36 horas semanais. A defesa da jornada de 30 horas, portanto, está diretamente relacionada ao debate sobre condições de trabalho, qualidade do atendimento e valorização de uma categoria que desempenha papel central no funcionamento do Sistema Único de Saúde.
Esse debate também envolve questões cada vez mais presentes no cotidiano dos serviços de saúde, como o dimensionamento adequado das equipes e situações de assédio moral no ambiente de trabalho. Quando profissionais atuam em equipes reduzidas ou sob pressão constante, não apenas as condições de trabalho se deterioram, como também se cria um ambiente propício para conflitos, sobrecarga e adoecimento das trabalhadoras.
É por isso que mobilizações como a marcha em Brasília ganham importância. Elas lembram que as condições de trabalho na saúde não são apenas uma questão corporativa, mas um tema que impacta diretamente a qualidade do atendimento oferecido à população.
A presença de trabalhadoras ligadas à ASERGHC na mobilização também reforça esse entendimento. A participação em um movimento nacional demonstra que as lutas locais estão conectadas a debates mais amplos sobre o futuro do trabalho na saúde pública.
A Enfermagem brasileira reúne cerca de três milhões de profissionais. É a maior força de trabalho da área da saúde e também uma categoria majoritariamente feminina. Ainda assim, a valorização dessas trabalhadoras e trabalhadores continua sendo um desafio permanente.
Discutir o piso salarial, a jornada de trabalho e as condições de exercício da profissão — incluindo o dimensionamento adequado das equipes e o enfrentamento ao assédio no ambiente de trabalho — é discutir, em última instância, o próprio funcionamento do sistema de saúde.
Porque, na prática, o SUS não funciona apenas por meio de estruturas administrativas ou decisões de gestão. Ele funciona todos os dias graças ao trabalho concreto de profissionais que sustentam o atendimento à população. E entre esses profissionais, a Enfermagem ocupa um lugar central.
Valorizar essa categoria significa reconhecer quem está diariamente na linha de frente do cuidado. E significa também compreender que fortalecer o SUS passa, necessariamente, por garantir condições dignas de trabalho para aquelas que tornam o sistema público de saúde possível.
(*) Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição

§§§
As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

Assuntos Governo
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