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Ibaneis Rocha, governador do DF, está encurralado, sitiado politicamente, por causa da fraude no Banco Master e prejuízos bilionários no banco de Brasília (BRB). um juiz barra seu plano emergencial. A Justiça exige transparência total nas contas do banco estatal antes de autorizar qualquer medida de capitalização. Ibaneis não tem muito mais tempo. Precisa decidir se vai continuar governador até à meia noite de sexta-feira 3 de abril. Se ficar no palácio, vai enfrentar a crise no BRB e novos pedidos de impeachment. Se sair para se candidatar ao Senado, vai atravessar a campanha enredado num escândalo bilionário.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Um novo pedido de impeachment a cada semana — é o que têm feito desde janeiro os adversários de Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal eleito pelo MDB.
Ele está encurralado, politicamente sitiado, por envolvimento no escândalo do Banco Master. E só tem mais alguns dias para decidir o próprio futuro: deixa o governo e enfrenta incertezas na disputa por uma vaga ao Senado, ou fica até o fim do mandato sob risco de impeachment.
Ibaneis é um sobrevivente da insurreição de 8 de janeiro de 2023. Ele desapareceu naquele domingo enquanto aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro apelavam a um motim militar e invadiam o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Quem procurou o governador de Brasília naquela tarde, não encontrou. Sua ambiguidade até foi questionada, mas conseguiu se manter distante da lista de processados por tentativa de golpe de estado — quase todos condenados como o líder, Bolsonaro.
A situação agora é diferente. Está enredado na teia de um escândalo político: é o chefe de um governo cujo banco estatal, o BRB, corre risco existencial por ter acumulado prejuízos bilionários na fraude financeira do Master.
Não se conhece o valor exato das perdas, que poderiam somar 12 bilhões de reais. É provável que sejam detalhadas na assembleia de acionistas do banco estatal, convocada para amanhã.
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Ibaneis achou que estava no controle de uma solução para o BRB, com a transferência de imóveis de empresas estatais para o banco, que poderia usá-los em garantia a um empréstimo do setor privado, via Fundo Garantidor de Crédito. Numa demonstração de força, o governo conseguiu aval legislativo em menos de duas horas.
Deu tudo errado. Por razões diversas, o PL de Jair Bolsonaro resolveu abandoná-lo, enquanto outros antigos aliados se uniram aos adversários de sempre numa contestação judicial à transferência de patrimônio de empresas estatais ao BRB.
Nesta segunda-feira (16/3), a vida do governador ficou mais complicada com o veto do juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni, da Fazenda Pública, à manobra de Ibaneis para resgate emergencial do banco de Brasília. Não faz sentido propor solução para um problema de dimensões desconhecidas, argumentou o juiz.
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“O diagnóstico deve preceder as propostas de solução e não o contrário”, escreveu. “As soluções para a resolução desta crise de liquidez devem ser precedidas de observância de regras de boa governança corporativa, transparência e auditoria completa para apurar o grau de comprometimento da sua capacidade financeira e liquidez.”
Acrescentou: “No caso, foi aprovada a lei distrital que autoriza o Distrito Federal a utilizar instrumentos para capitalizar o BRB, sem que os investidores, correntistas e toda a sociedade tenha ciência do grau de comprometimento da liquidez. O parlamento distrital ofereceu uma solução sem ter conhecimento da necessidade econômica real do BRB.”
“Não há como efetivar tais transferências antes que haja prova efetiva e concreta do grau de comprometimento da liquidez do BRB em razão das operações financeiras envolvendo o Banco Master”, continuou. “Antes da referida transferência, caso venha a se concretizar, a própria instituição financeira deverá esclarecer, com a devida transparência, o grau de comprometimento de sua liquidez, para em seguida deliberar sobre eventual aumento do capital social; deverá ser comprovado, de forma efetiva e concreto, o interesse público, conforme mencionado na própria lei; essencial demonstrar a pertinência dos imóveis que constam na lei com a atividade do BRB e, ainda, com a devida deliberação, por meio de seus órgãos diretivos, obter autorização daquelas estatais que terão seus bens sacrificados para capitalizar o BRB.”
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Em tese, haveria tempo para que tudo fosse solucionado até a terça-feira 31 de março, quando o BRB deveria divulgar suas contas de 2025. Mas a receita do juiz, baseada na Lei das Estatais, implica num custo extra que o governador tentou, mas não conseguiu evitar: a transparência nas decisões que levaram o banco de Brasília a uma grave crise de liquidez, com risco existencial.
Ibaneis não tem muito mais tempo. Precisa decidir se vai continuar governador até à meia noite de sexta-feira 3 de abril. Se ficar no palácio, vai enfrentar sequelas do caso Master no BRB, com novos pedidos de impeachment. Se deixar o governo para se candidatar ao Senado pelo MDB, vai atravessar a campanha enredado num escândalo bilionário.
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