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Governo

Ibaneis queria hipotecar Brasília para pagar rombo do BRB

16 de março de 2026
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Governo do Distrito Federal tentou usar imóveis públicos para reforçar o capital do BRB.Joédson Alves / Agência BrasilÉ uma pornografia administrativa achar normal que o Estado apareça sempre no fim da história com a carteira na mão, pronto para limpar a sujeira deixada pelos amigos do poder.A cena agora vem de Brasília, que nunca decepciona quando o assunto é imaginação para socializar desastres. A Justiça barrou nesta segunda-feira (16), a tentativa do governo do Distrito Federal de usar imóveis públicos para reforçar o capital do BRB, abalado por sua relação com o Banco Master. Entre as medidas travadas estavam justamente a transferência de nove imóveis públicos, o uso desses bens como garantia em empréstimos e até a criação de um fundo imobiliário com os terrenos. O juiz Daniel Carnacchioni entendeu haver risco ao patrimônio público – ora, que surpresa – e mandou o governo se abster de executar a lei recém-sancionada.É difícil não admirar, ainda que pelo ângulo do horror, a criatividade dessa gente. Um banco público se mete numa relação desastrosa e pouco republicana com um banco privado, o negócio implode, a liquidez entra em crise, e a solução concebida no coração da República é pegar bens que pertencem à população e jogá-los na fogueira para ver se o incêndio baixa. A isso não se dá o nome de gestão, mas sim de cambalacho com verniz técnico.O que assusta não é só a manobra, mas a naturalidade da manobra. Como se fosse razoável olhar para terrenos públicos, patrimônio de estatais, ativos que pertencem à coletividade, e concluir que tudo isso pode virar colchão para amortecer o impacto de operações atravessadas por um escândalo político e financeiro. A essa altura, o contribuinte brasileiro já não é tratado como cidadão. É tratado como aquela pessoa otária do grupo que sempre acaba pagando a conta porque ninguém mais quer sacar o cartão.O pano de fundo torna tudo ainda pior. O BRB já vinha admitindo a possibilidade de aporte do GDF para cobrir prejuízos ligados ao Master, depois do colapso do banco privado. Segundo investigações citadas pelo próprio BRB e por reportagens da época, há indícios de venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao banco público, além de documentos falsos apresentados ao Banco Central.Então convém traduzir o absurdo em português claro: não estamos falando de um governo investindo em hospital, escola, mobilidade ou habitação. Estamos falando de um governo disposto a mobilizar patrimônio público para remendar o estrago de uma relação tóxica entre um banco estatal e um banco privado hoje liquidado extrajudicialmente, cuja ruína já arrastou polícia, Justiça, Banco Central, Congresso e um rosário de suspeitas para o centro da crise.No Brasil, o risco é privado na hora da euforia e público na hora da ressaca. Na fase da audácia, aparecem os gênios do mercado, os visionários, os homens de coragem, os arquitetos das operações sofisticadas. Quando a casa cai, entram em cena os terrenos do Estado, o caixa público, o contribuinte silencioso e algum discurso pomposo sobre “estabilidade”, “governança” e “soluções estruturantes”, que é a maneira chique de dizer que vai sobrar pra nós.MAIS GABRIEL WAINERA decisão judicial interrompeu essa indecência antes que ela ganhasse ares de normalidade definitiva e fez um favor pedagógico ao país. Porque certas coisas precisam ser barradas não apenas pelos seus efeitos econômicos, mas pela desmoralização moral que carregam. Um governo que oferece patrimônio coletivo como garantia para remendar o impacto de aventuras financeiras está dizendo, na prática, que o erro dos poderosos tem sempre um colchão público à espera.É esse o vício nacional que transforma escândalo em rotina. A cada novo desastre, não se discute como responsabilizar quem fez a lambança. Discute-se como distribuir a conta sem muito barulho. E, no fim, ainda aparece alguém vendendo isso como responsabilidade institucional.Não é responsabilidade. É vício.E talvez essa seja a definição mais honesta de parte do capitalismo brasileiro: um sistema em que o lucro sobe de elevador privativo, mas o prejuízo foge pela porta dos fundos abraçado ao Estado.

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