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Nos anos 197‑80, o isolamento de Brasília gerou um movimento de rock nas pilotis e superquadras da cidade planejada por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.
A “Turma da Colina”, liderada por Renato Russo, fundou a banda Aborto Elétrico, precursor do rock brasiliense.
Bandas como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude tornaram‑se ícones da cena, cujas letras criticavam a ditadura militar.
Nas décadas seguintes, a produção musical de Brasília se expandiu para choro, MPB e jazz, diversificando o panorama cultural.
Conhecida nacional e internacionalmente como a “Capital do Rock” nos anos 1980, Brasília construiu uma trajetória musical que vai muito além das guitarras e letras contestadoras. A cidade, planejada por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, transformou seu urbanismo único em inspiração para diferentes movimentos culturais e musicais ao longo das décadas.
O rock brasiliense surgiu em meio ao isolamento e à falta de opções de lazer nas décadas de 1970 e 1980. Jovens passaram a ocupar espaços como pilotis e superquadras para ensaiar, criando uma cena musical marcada por crítica social e forte influência do contexto político da época. Bandas como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude se tornaram símbolos dessa geração.
Renato Russo
No centro desse movimento estava Renato Russo, figura-chave da chamada “Turma da Colina”, grupo que deu origem à banda Aborto Elétrico — considerada o embrião do rock local. As letras, frequentemente críticas e existencialistas, refletiam a proximidade da cidade com o poder político durante o período da ditadura militar.
Com o passar dos anos, a cena se diversificou. Nos anos 1990, grupos como Raimundos trouxeram novas influências ao misturar rock pesado com ritmos regionais. Já no cenário contemporâneo, bandas como Scalene e Móveis Coloniais de Acaju mantêm viva a tradição musical da capital.
Cássia, Zélia e Ney
Apesar do protagonismo do rock, Brasília também se consolidou como um polo multicultural e formador de grandes artistas da música brasileira. A cantora Cássia Eller, embora nascida no Rio de Janeiro, foi em Brasília que construiu sua base artística, se apresentando em bares e espaços alternativos antes de alcançar projeção nacional. Já Zélia Duncan também teve passagem marcante pela cena local, onde iniciou sua trajetória e consolidou sua identidade musical. O cantor Ney Matogrosso, por sua vez, viveu anos importantes na capital durante a juventude, período em que teve contato com experiências artísticas que influenciaram sua carreira.
O Clube do Choro de Brasília
Outro destaque é o fortalecimento do choro, gênero que encontrou na capital um importante centro de difusão. O Clube do Choro de Brasília tornou-se referência internacional, abrigando a Escola de Choro Raphael Rabello — pioneira no ensino formal do gênero no país.
O espaço foi fundamental para a formação de músicos que hoje se destacam no cenário nacional e internacional, como Hamilton de Holanda, considerado um dos maiores nomes do bandolim contemporâneo. Também passaram ou foram influenciados pelo ambiente do clube instrumentistas como Daniel Santiago, Rogério Caetano, Rafael dos Anjos e o gaitista Gabriel Grossi, reconhecido internacionalmente por seu trabalho com a gaita harmônica. O trabalho de Reco do Bandolim também é central nesse processo, tanto como instrumentista quanto como articulador da escola.
GOG e Natiruts
A cidade também revelou nomes do rap e reggae, como GOG e Natiruts, que ajudaram a descentralizar esses gêneros no país.
A relação entre arquitetura e música também marca a identidade brasiliense. Elementos urbanos, como as “tesourinhas” e as entrequadras, inspiraram composições eruditas e experimentais, enquanto o céu aberto da cidade aparece frequentemente em canções populares.
As festas e eventos
Atualmente, eventos como o Porão do Rock e festas como a Makossa mantêm a cena cultural ativa, conectando novas gerações ao legado histórico. Espaços como a Concha Acústica e o Eixão do Lazer também seguem como pontos de encontro para manifestações artísticas.
Mais do que um gênero específico, a música em Brasília se consolidou como expressão direta de sua formação social, urbanística e política. Entre o concreto e o cerrado, a capital federal segue reinventando sua identidade sonora, mantendo-se como um dos principais polos culturais do país.
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