Uma expressão artística capaz de atravessar culturas e emocionar em qualquer lugar do mundo: a dança. Celebrado nesta quarta-feira (29), o Dia Internacional da Dança foi criado em 1982 pelo Comitê Internacional da Dança, ligado à UNESCO, em homenagem ao nascimento de Jean-Georges Noverre. A data destaca a dança como uma linguagem universal, valorizando a diversidade, a inclusão e os impactos físicos, sociais e culturais dessa forma de arte.
Em Brasília, diferentes estilos e trajetórias mostram como a dança pode transformar vidas, seja como hobby, profissão ou forma de expressão. Para muitos jovens, o primeiro contato vem de referências da cultura pop, como o K-pop.
Dançarino de Kpop Kino. – Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília
É o caso do dançarino Kino, que começou a dançar em 2012, inspirado por grupos sul-coreanos. “Eu comecei a me interessar mais pela dança por causa do K-pop. Fui vendo grupos dançando e aquilo me despertou essa vontade de aprender”, conta. Ao longo dos anos, ele passou por academias da capital, deu aulas e acumulou experiências no cenário local.
Hoje, com cerca de uma década dedicada ao estilo, ele define a dança como algo essencial para o bem-estar. “A dança me trouxe alegria, me ajudou tanto no físico quanto no mental. Foi algo libertador, que me apresentou uma realidade nova”, afirma.
Apesar da paixão, ele destaca que a cobrança entre os próprios dançarinos pode ser um desafio. “Existe uma pressão muito grande. As pessoas se comparam muito, mas a dança não tem limite. Cada um tem seu tempo de aprendizado”, reflete. Para ele, a essência está na experiência: “É algo que me diverte, me faz estar com pessoas que eu gosto e aproveitar o momento”.
Dançarino de Kpop Vini. – Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília
A trajetória de Vini também começou na escola, ainda aos 11 anos, influenciado pelo K-pop e pela convivência com amigos. O que começou como brincadeira no intervalo evoluiu para algo mais sério. “A gente começou dançando na escola, mas depois fui buscando me aprofundar, conhecendo outras modalidades como hip-hop, dancehall e jazz funk”, explica.
Hoje, estudante de licenciatura em dança no Instituto Federal de Brasília (IFB), ele já enxerga a arte como profissão. “No começo era só diversão, mas agora é algo que eu quero levar para a vida profissional. Passei a entender que exige estudo, dedicação e esforço”, diz.
Entre os principais desafios, Vini aponta a dificuldade de reconhecimento na área. “É difícil conquistar espaço e ter visibilidade. Muitas pessoas dançam, mas nem todas são reconhecidas como profissionais”, afirma. Ainda assim, o que o mantém na dança é o sentimento de pertencimento. “A dança conecta as pessoas. No palco, tudo muda. É algo que me faz sentir parte de algo maior”.
Com uma trajetória mais longa, o bailarino cubano Luis Gonzalez traz uma perspectiva marcada pela formação artística desde a infância. Ele iniciou os estudos no balé aos 9 anos, em Cuba, onde o incentivo às artes faz parte da educação. “Entrei em uma escola específica para artes. Foi uma base que moldou quem eu sou hoje”, relembra.
Para ele, a dança vai além da profissão. “Se eu nascesse de novo, escolheria ser bailarino outra vez. A dança me deu disciplina, ampliou meus horizontes culturais, me permitiu conhecer outros países e desenvolver perseverança”, afirma.
Luis também chama atenção para a importância das políticas públicas voltadas às artes. “O Brasil ainda não percebe o quanto as artes e o esporte são fundamentais para a formação humana. Isso impacta diretamente na sensibilidade, no respeito e na disciplina da sociedade”, pontua.
Ao falar sobre o papel da dança, ele reforça o caráter transformador da prática. “Não é só fazer aula. É um processo, um estilo de vida. Quando existe dedicação, o resultado aparece”.
Seja nos palcos, nas academias ou nos encontros entre amigos, a dança segue cumprindo seu papel de unir pessoas, contar histórias e transformar realidades, reafirmando, a cada passo, sua importância como expressão universal.
