Dario Durigan, ministro da Fazenda, afirmou em 12/05/2026 – 21:16 na Câmara dos Deputados que a redução da jornada de trabalho pode ajudar a diminuir desigualdades no país. Ele participou de debate na comissão especial que analisa a PEC 221/19, sobre o fim da jornada 6×1, e explicou a proposta e seus efeitos para trabalhadores e setores econômicos.
Posição do ministro
Durigan disse que os setores que ainda adotam a jornada 6×1 já são minoria, mas que os trabalhadores submetidos a essa escala têm menor renda, menor escolaridade e são majoritariamente negros. “A busca aqui é diminuir essa diferença, para que a população trabalhadora mais pobre, negra e com menos formação não seja discriminada na realidade do trabalho”, afirmou o ministro.
Impactos econômicos e estimativas
O representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Felipe Vella Pateo, afirmou que quem cumpre jornada de seis dias e 44 horas semanais reúne desvantagens em relação a quem trabalha 40 horas por semana. Segundo ele, a maioria desse grupo é formada por pessoas negras, com baixa escolaridade e alta rotatividade no emprego.
De acordo com o pesquisador, trabalhadores que têm 44 horas semanais recebem, em média, R$ 2,6 mil por mês, enquanto aqueles com jornada de 40 horas têm renda média mensal de R$ 6 mil. Ele também afirmou que a redução da jornada aumentaria o custo da hora trabalhada, com impactos diferenciados entre os setores: na agropecuária o custo operacional poderia subir 3%, e em setores com mais de 500 mil trabalhadores o aumento estimado seria de 5%.
O economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, Fábio Pina, afirmou que a redução da jornada pode elevar em R$ 160 bilhões os gastos das empresas com folha de pagamento e avaliou que a medida pode provocar desemprego e inflação. “Eu vou produzir dois tipos de empresas no Brasil hoje: as que podem absorver esse custo e repassar para os preços; e as que não têm condições de absorver esse impacto, o que pode gerar demissões e informalidade”, disse Pina.
Aumento de produtividade e exemplos internacionais
O professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Dari Krein, afirmou que experiências internacionais apontam aumento de produtividade e redução de faltas ao trabalho em países que diminuíram a jornada semanal. Como exemplo, citou a Islândia, onde segundo ele 51% dos trabalhadores atuam em jornadas de quatro dias por semana.
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor de uma das propostas sobre redução da jornada, afirmou que a reforma tributária pode aumentar em até 20% a produtividade das empresas brasileiras nos próximos dez anos e que a inteligência artificial deve trazer ganhos para a economia. “Em que momento nós vamos transferir parte desse ganho para os trabalhadores? O que quebra uma economia são os trabalhadores adoecidos”, declarou Lopes.
Doenças do trabalho e custos previdenciários
O deputado Dimas Gadelha (PT-RJ) apresentou números sobre custos relacionados à saúde dos trabalhadores: os gastos da Previdência com auxílio-doença passaram de R$ 5 bilhões, em 2005, para R$ 15 bilhões atualmente. Ainda conforme o parlamentar, as despesas com acidentes de trabalho subiram de R$ 5 bilhões para R$ 12 bilhões no mesmo período. Gadelha afirmou que, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve ganho real de 50% no período, os custos com doenças relacionadas ao trabalho cresceram mais de 150%.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Geórgia Moraes
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