O pioneiro da capital Evaldo Feitosa, tabelião do Quarto Cartório de Notas da Asa Norte, para além da carreira jurídica, também é palestrante, escritor e compositor. Apaixonado por Brasília, se inspirou nas correntes espiritualistas para escrever o seu mais novo livro, “Brasília — A Guerra dos Símbolos”. Membro da Academia de Letras do Alto Longá, no Piauí, ele foi o primeiro autor piauiense a assumir um lugar na Academia de Letras de Brasília.
Ao todo, Evaldo escreveu 12 livros. Todos estão disponíveis para compra em versão digital através do site do autor. O lançamento mais recente foi dedicado à capital federal: “Brasília — A Guerra dos Símbolos”. “Eu fiz um apanhado geral sobre Brasília, sobre essa simbologia da cidade”, explica. Como a maioria de suas obras são romances, com esta não foi diferente.
Na história fictícia, todas as luzes de Brasília se apagam e um disco voador surge. Isso porque, para além da política, Evaldo quis estudar a fundo a temática espiritual, metafórica e simbólica da região. Na trama, o disco voador emite uma luz no Memorial JK e vai até o Pavilhão Nacional, onde a estrela Antares é arrancada. E então a história começa. Todos os livros de Evaldo são ambientados em sua cidade, lá em Alto Longá, Piauí, mas para a obra baseada no simbolismo de Brasília, ele trouxe seus personagens das obras anteriores e os promoveu para cargos que fazem sentido na estrutura da capital.
Foto: Amanda Karolyne/Jornal de Brasília
Os monumentos sob uma ótica esotérica
De acordo com os estudos e pesquisas feitas por Evaldo para o livro, todo prédio histórico da capital tem uma explicação ligada a um sonho e uma simbologia mística. “Tudo em Brasília, cada prédio tem um sonho. Por exemplo, a própria Brasília está no sonho de Nabucodonosor, da Bíblia”, citou. O tabelião conta que o histórico governante babilônico chamou todos os sábios para interpretar seus sonhos e, na interpretação de Daniel, surgiu a visão de uma estátua com cabeça de ouro e pés de barro, simbolizando a sucessão dos reinos do mundo.
Segundo Evaldo, para muitos estudiosos e místicos, Brasília representaria o desfecho dessa profecia milenar. “A interpretação atravessa os séculos e chega ao ‘Quinto Império’ de Padre Antônio Vieira, que 150 anos antes da construção previa um reino de paz que falaria português, mas estaria no Brasil”, completou. Para o autor, isso se encaixaria com a profecia de Dom Bosco, que previu que entre os paralelos 15 e 20 surgiria a “Terra Prometida”, de onde jorraria leite e mel — o que faria de Brasília a materialização física dessas visões.
Ele se inspirou em toda a simbologia por trás da construção da capital. “As pessoas não percebem essa parte espiritualista em Brasília. Mas vieram para a cidade todos os movimentos espirituais, como a Tia Neiva, do Vale do Amanhecer, e João de Deus. Antes mesmo da inauguração de Brasília, já havia um centro espírita”, ressaltou. Ainda segundo os estudos de Evaldo, esotéricos afirmam que Juscelino Kubitschek seria a reencarnação de Akhenaton, faraó do Egito que reinou em 1330 a.C. Ele aponta que, por causa disso, existe uma sala dedicada ao Egito no Templo da Boa Vontade.
“A Guerra dos Símbolos” analisa Brasília de outra forma ao pegar sua arquitetura tão aclamada mundialmente e dissecá-la pela ótica esotérica. A obra também questiona o formato da capital: se é um pássaro ou um avião, afinal. “O próprio Lúcio Costa, depois de muita gente falar que era um avião ou um pássaro, disse que na verdade é uma borboleta”. Isso porque, segundo Evaldo, o arquiteto queria evocar a ideia de metamorfose para o Brasil, que alçaria um “voo turístico”.
Cada prédio do Plano Piloto foi misticamente estudado para ter seus relatos contados através do romance. O Congresso Nacional, por exemplo, foi construído com o simbolismo do número dois. “E o prédio é dedicado ao deus Sol, que era o deus Hélio na mitologia”, acrescentou. Já na Catedral, toda a construção foi baseada no número quatro: “Tudo ali faz referência aos quatro elementos: terra, água, fogo e ar. São quatro sinos, quatro evangelistas e quatro anjos”, disse. Ele descreve que, apesar de haver três anjos suspensos, o quarto seria, teoricamente, o anjo da guarda de quem observa os outros três.
Entre as letras e as leis
Evaldo está na capital desde 1976. Aos 71 anos, ele contemplou sua vivência na cidade desde a construção ao dizer que o irmão veio construir os “ossos” da capital e ele, depois, fez a parte de preencher esse arcabouço com a “pele”. “Ajudei a fundar os sindicatos, associações e igrejas. Também ajudei a fundar pelo menos oito partidos políticos”, recordou. Ele atua como tabelião há 35 anos, desde quando esteve presente no primeiro concurso do Brasil para a carreira. Evaldo afirma que é o único tabelião que detém a “tríplice coroa”, já que recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília, a honra de Cavaleiro da Ordem do Mérito de Brasília e também de Comendador da Ordem do Mérito Judiciário. Para ele, esses são reconhecimentos de que “fez por onde” e tem credibilidade.
Mas para além da trajetória na Justiça, ele tem orgulho de falar que é palestrante, compositor e escritor. Dentre suas músicas, existem canções em homenagem à sua terra natal, Piauí, e até música inspirada em Brasília como a faixa “E Brasília”. Quando se trata dos livros, os gêneros em que ele escreve são autoajuda e romance, mas alguns abordam política, já que ele dedicou 20 anos de vida a esse segmento. Entre as obras estão: O Comprador de Sonhos, O Comprador de Mentiras, O Comprador de Loucuras, O Reino Encantado de Shiva Inri, Como Ser Feliz – As Dez Regras de Ouro da Felicidade, O Direito Penal Netshopping, Manual do Populismo – Como Lula Transformou FHC Em Grande Populista, Operação Desejo de Sharon e Brasília – A Guerra dos Símbolos.
Um de seus livros, O Comprador de Mentiras, o qual ele considera o mais famoso, foi adaptado para os palcos brasilienses. Com montagem no Teatro dos Bancários e no Teatro Ducina de Moraes. Para Evaldo é impactante ver o mundo criado por ele ganhando vida pela visão de outras pessoas. “Às vezes, a gente fica até enciumado. Mas é isso que a gente quer como escritor: fazer a ideia explodir na cabeça do leitor.”
Ele considera que é tabelião por acaso, mas no fundo, era para ter sido psicólogo. “Mas é tudo curiosidade, então eu leio muitas coisas e abordo muitos temas nos meus livros”, comentou. Ele já está produzindo seu próximo livro, que vai se chamar Reprovado Pelo Diabo.
Um homem de muitos lados, atualmente, além de escritor e compositor, ele também atua ministrando cursos sobre a felicidade, a mentira e a verdade, além de produzir conteúdos para as redes sociais e pode ser conferido no Instagram @evaldofeitosasantos. “Já tenho cerca de mais de 200 vídeos. Eu pego algum tema do dia, alguns que, por coincidência, estão nos meus livros”, contou. Casado há 43 anos com Antônia Mendonça Feitosa, Evaldo tem três filhos e seis netos. Com todo o trabalho e a vida pessoal construídos até aqui, ele tem a sensação de dever cumprido.
Saiba Mais
As histórias escritas por Evaldo Feitosa podem ser conferidas digitalmente. O autor tem o costume de distribuir exemplares físicos como presente para seus clientes no cartório, mas a versão digital de todos os seus livros já pode ser adquirida pelo público que se interessar.
Onde encontrar: As obras estão disponíveis na plataforma digital do autor, no site evaldofeitosa.shop.
