Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
Noticiário Brasilia
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
Noticiário BrasiliaNoticiário Brasilia
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Governo

Povos indígenas marcham em Brasília para exigir demarcação de terras ao governo brasileiro

9 de abril de 2026
Compartilhar

Indígenas de diversos povos e territórios do Brasil percorreram o Eixo Monumental em Brasília até o Congresso Nacional em uma marcha organizada pelo Acampamento Terra Livre (ATL) na tarde desta quinta-feira (9) sob o lema Demarca, Lula! Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida.

O ATL acontece desde o último domingo (5) e reúne comunidades indígenas de todo o país para reforçar reivindicações históricas, como a demarcação de terras, proteção ambiental e garantia de direitos sociais. Durante o ato, a Articulação de Povos Indígenas (Apib) entregou uma carta de reivindicações ao Poder Executivo no Ministério de Minas e Energia e na Secretaria-Geral da presidência da República.

De acordo com os organizadores, a política indigenista é marcada por desafios desde a invasão dos portugueses ao território hoje chamado de Brasil. Nesse sentido, o ato vem reafirmar a resistência e o protagonismo dos povos originários que aqui residem antes da chegada da coroa. 

A principal pauta da marcha foi a demarcação de Terras Indígenas (TIs), considerada pelos participantes como a base para a preservação cultural, ambiental e social. Para Lilian Eloy, do povo Terena e coordenadora de mulheres pela Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (Arpin), a garantia territorial está diretamente ligada à sobrevivência de suas comunidades.

Povos originários marcham até o Congresso Nacional, em Brasília, durante o ATL 2026 | Crédito: Camila Araújo/Brasil de Fato DFEla destacou que, apesar de avanços pontuais no governo atual, muitos territórios ainda aguardam reconhecimento. “A demarcação de terra para nós é muito importante, é por isso que nós estamos aqui reivindicando os nossos direitos como originários dessa terra, povos originários dessa terra. Pedimos ao presidente Lula que dê um olhar um pouquinho mais com atenção, porque precisamos que os nossos territórios sejam demarcados.”

Lilian também chamou atenção para a situação do interior de São Paulo, onde comunidades enfrentam conflitos e ameaças por territórios ainda não reconhecidos oficialmente. Segundo ela, a falta de demarcação compromete o direito à educação, saúde, alimentação e à vivência cultural sem medo.

Resistência e disputa territorial

Do Território Encantado, Baixo Tapajós, Eladio Tupayu relatou a longa batalha por reconhecimento de seu território, que recentemente foi ameaçado pelo decreto nº 12.600/2025 que pretendia privatizar os rios da Amazônia. “O nosso território está há 13 anos nessa peleja por demarcação de terra. A gente espera que o presidente possa estar ouvindo a gente”, afirmou, acrescentando as dificuldades de acesso ao ATL e obstáculos na comunicação com autoridades.

Já no Cerrado mato-grossense, Cacique José Maria, da Aldeia São Marcos, do povo Xavante, destacou a vulnerabilidade das terras indígenas diante de grandes projetos de exploração. Segundo ele, construções de usinas hidrelétricas e ferrovias ameaçam os rios e a biodiversidade do Cerrado.

“O Cerrado é o ponto da vida, não ameaça ninguém, mas está sendo prejudicado pelas construções. As áreas indígenas Xavante estão sendo atingidas e não sei qual é o interesse, porque o interesse de exploração não é para o bem do Brasil”, refletiu.

O cacique ressaltou que a resistência indígena não é apenas simbólica: “O povo Xavante está pronto, está vivo, pronto para defender o Cerrado. A terra sempre teve dono, que somos nós, mas com humildade recebemos quem chegou no passado. Hoje, porém, somos humilhados e discriminados pelos brancos. Isso é para vivermos com dignidade e dar um basta às violações dos nossos direitos”, afirmou.

Marcha por demarcação de terras indígenas no ATL 2026 | Crédito: Camila Araújo/Brasil de Fato DFTerritórios e justiça climática

Além das questões territoriais, a marcha também abordou temas ambientais e climáticos. Durante toda a articulação, lideranças apresentaram propostas de integração entre proteção territorial e políticas de transição energética, alertando que a destruição de ecossistemas afeta toda a sociedade.

A proposta apresentada pelo movimento indica a criação de “Zonas Livres de Combustíveis Fósseis”, áreas de alta relevância ecológica e cultural, onde a exploração de petróleo, gás e carvão seria proibida. Essa iniciativa tem como objetivo colocar os territórios indígenas como eixos estratégicos para a proteção climática, reforçando o protagonismo das comunidades nessa construção.

Pressão por respostas e entrega de carta ao Executivo 

Em marcha, os participantes enfatizaram que a luta por demarcação de terras é inseparável da proteção da cultura, da história e do conhecimento tradicional. 

Durante a caminhada, os manifestantes reafirmaram o pedido de diálogo direto com o governo federal. Para Eladio Tupayu, a dificuldade de acesso a autoridades e a repressão de atos pacíficos evidenciam que o Estado ainda não escuta plenamente os povos indígenas. “Viemos para o diálogo, mas só que não está tendo diálogo bom com a gente. Nós viemos reivindicar, mostrar nossa situação, e não apenas sermos impedidos de entrar ou exercer nossos direitos.”

Além das reivindicações apresentadas durante a marcha, a carta da Apib ao governo brasileiro reforça que o movimento indígena segue em mobilização permanente em Brasília para influenciar os rumos das políticas públicas e garantir o cumprimento de direitos constitucionais.

Mulheres indígenas na linha de frente da marcha pela demarcação de terras no ATL 2026 | Crédito: Camila Araújo/Brasil de Fato DFO documento destaca a participação ativa do movimento indígena, afirmando que “o atual governo também foi construído com apoio, presença, incidência e aposta política do movimento indígena”, mas pondera que essa relação precisa se traduzir em resultados concretos na proteção dos territórios.

A Apib reconhece avanços institucionais, como a retomada de políticas públicas e mudanças na estrutura do Executivo, mas ressalta que ainda há um descompasso entre as promessas e a realidade vivida nas comunidades. Nesse sentido, o texto afirma que os avanços “ainda não respondem à urgência histórica nem à dívida do Estado brasileiro com os nossos povos”.

A carta também evidencia a necessidade de ações mais firmes do Estado para conter o conflitos e violações nos territórios indígenas, apontando que esse cenário se manifesta no “aumento de invasão dos territórios, violência e criminalização de povos, lideranças e organizações indígenas”.

Por fim, o documento cobra maior atuação do Executivo diante de pressões políticas contrárias aos direitos indígenas, defendendo que a demarcação de terras seja tratada como prioridade estratégica e como parte central das políticas climáticas e ambientais do país.

Apoie a comunicação popular no DF:

Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]

Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304-0102

Assuntos Governo
Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print
Painel Informe Manaus de Satisfação: Gostou da matéria?
Love0
Angry0
Wink0
Happy0
Dead0

Você pode gostar também

Folha de S.Paulo on Instagram: “BRASÍLIA HOJE | A liderança indígena Narubia Werreira abordou o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no Congresso Nacional nesta quarta-feira (08). Ela o chamou de “miliciano” enquanto ele deixava a Câmara dos Deputados, cercado de apoiadores, após uma coletiva de imprensa. “Você não é desse país, você não ama esse país”, gritou Werreira. Flávio respondeu que iria “libertar os indígenas”. 📲Leia mais na #Folha: folha.com/brasiliahoje 📝Laura Scofield, João Gabriel e Augusto Tenório 🎦Augusto Tenório #videosdafolha #politica #brasiliahoje #flaviobolsonaro”

9 de abril de 2026
Governo

Jatinhos de dono do Master pousaram 55 vezes em Brasília

9 de abril de 2026
Governo

Pagamentos do Master a importantes figuras de Brasília alimentam tensões eleitorais

9 de abril de 2026

Pagamentos do Master a importantes figuras de Brasília alimentam tensões eleitorais

9 de abril de 2026
Governo

Estudantes especiais do DF participam de sessão inclusiva de cinema no Cine Brasília

9 de abril de 2026
Governo

Basquete escolar de Rondônia embarca para Brasília com sonho de medalha nos Jogos Escolares Brasileiros Sub-18

9 de abril de 2026
Noticiário BrasiliaNoticiário Brasilia