Plenário da Câmara dos Deputados Foto: Kayo Magalhaes/NDManter os 16 deputados federais eleitos por Santa Catarina custou R$ 40,7 milhões aos cofres públicos em 2025. O número, levantado pelo Núcleo de Dados do Grupo ND, não é apenas uma cifra expressiva, é um termômetro do custo da democracia representativa e, dependendo do ângulo, um retrato de como o dinheiro público é gerido.O salto de 21% em relação aos R$ 33,7 milhões gastos em 2024 é o dado que mais incomoda. A inflação oficial do período foi de 4,26%, o crescimento das despesas parlamentares foi quatro vezes superior. Não há explicação técnica convincente para essa disparidade. O que há é um padrão recorrente na política brasileira: os custos do Legislativo crescem independentemente do cenário econômico do país.O maior item da conta é o mais previsível: os gabinetes consumiram mais de R$ 23,8 milhões, o equivalente a 61% de todo o gasto da bancada. Cada deputado pode contratar até 25 assessores, com teto mensal de R$ 165 mil. A média entre os catarinenses ficou em R$ 110 mil mensais. Receba no WhatsApp as principais notícias de política e economia Entre no grupoA Cota Parlamentar, segundo maior item, gerou R$ 7,6 milhões em despesas. O destaque negativo fica por conta da rubrica “Divulgação da Atividade Parlamentar”, que consumiu R$ 2,35 milhões (30% de toda a cota da bancada). Em outras palavras, quase um terço do fundo mensal destinado ao exercício do mandato foi usado para impulsionar postagens em redes sociais, contratar produtoras de vídeo e imprimir jornais. É difícil não enxergar nesse número um uso eleitoral de recursos públicos, ainda que dentro dos limites legais.As viagens oficiais dos representantes catarinenses no Legislativo somaram R$ 147 mil e renderam destinos que vão de Havana a Seul, passando por Genebra, Cidade do México e Lisboa. As viagens podem ter propósitos legítimos, mas a transparência sobre seus resultados concretos ainda deixa a desejar.O levantamento não permite, por si só, julgar a qualidade do mandato de cada parlamentar. Gastar mais não significa trabalhar mais — e gastar menos tampouco é sinônimo de eficiência. O que os números exigem é uma pergunta que raramente é feita com a devida seriedade: o que Santa Catarina recebeu em troca desses R$ 40,7 milhões? Essa resposta, o eleitor tem o direito — e o dever — de cobrar.
