Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
Noticiário Brasilia
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
Noticiário BrasiliaNoticiário Brasilia
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Governo

Mobilização indígena em Brasília cobra Lula, critica Congresso e expõe impasse nas demarcações

7 de abril de 2026
Compartilhar

Brasília voltou a se tornar o principal palco da mobilização indígena no País nestas primeiras semanas de abril. A 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) reúne milhares de indígenas de diferentes povos e regiões com a pauta de pressionar o poder público por avanços concretos na demarcação de terras e na garantia de direitos constitucionais. O tom dos discursos evidencia frustração com o ritmo do governo Lula (PT) e críticas duras ao Congresso Nacional, classificado por manifestantes como “inimigo dos povos”.
Considerado o maior encontro indígena do Brasil, o ATL ocorre ao longo dos próximos dias em Brasília e reúne representantes de cerca de 200 povos. A mobilização combina marchas, debates e articulações políticas, em um momento marcado tanto pela expectativa de diálogo com o governo federal quanto pela cobrança por respostas mais rápidas. 
Cobrança ao governo e frustração com promessas

Entre os participantes, a avaliação sobre o governo Lula mistura reconhecimento de avanços e críticas à lentidão. A principal cobrança gira em torno da demarcação de terras, apontada como insuficiente diante da demanda acumulada.

“Hoje em dia a gente só tem promessa, promessa e nada resolvido”, afirmou Yaka, liderança do território do sul do Amazonas. Para ela, a presença em Brasília não é simbólica, mas parte de uma pressão direta por resultados: “A gente tá aqui não por passeio, mas sim pelo nosso direito”.

A expectativa em relação ao presidente também aparece condicionada. “Se ele estiver com a gente, a gente também tá com ele. Agora, se não estiver, a gente não vai abaixar a cabeça”, disse.

O ATL 2026 vai até a próxima sexta-feira 10. Foto: Vinícius Nunes/CartaCapital

A percepção de que houve avanços, mas ainda distantes do necessário, é compartilhada por outras lideranças. “O governo Lula avançou muito, mas falta muito para ser feito”, afirmou Paulo Krikati, do grupo Timbira, que habita o sudoeste do Maranhão. Segundo ele, o principal desafio segue sendo garantir processos de demarcação em andamento avancem até a regularização completa.

Essa avaliação também aparece entre indígenas do Xingu. Owy Kayabi Ikpeng destacou que ainda há territórios sem reconhecimento e denunciou problemas concretos, como invasões e exploração irregular dentro de áreas indígenas. “Falta muita demarcação ainda. Eu espero que demarquem o nosso território”, afirmou.
Territórios, conflitos e demandas básicas

As falas no acampamento mostram que a pauta vai além da demarcação formal e inclui segurança territorial, acesso a políticas públicas e proteção contra atividades consideradas ilegais.

No Xingu, por exemplo, lideranças denunciam a presença de invasores e a prática de pesca esportiva dentro de territórios indígenas. Já no sul da Bahia, indígenas relatam conflitos fundiários e processos judiciais contra lideranças.

Juan Pataxó, do extremo sul baiano, afirma que a situação envolve escalada de tensões. Segundo ele, há comunidades com demarcações travadas e lideranças sob investigação ou medidas judiciais. “Lutar pelo território não é crime”, disse.

Juan Pataxó, de 25 anos. Foto: Vinícius Nunes/CartaCapital

As críticas também atingem a burocracia estatal. Lideranças apontam demora em portarias, dificuldades de tramitação e falta de estrutura de órgãos responsáveis como entraves para avançar nas demarcações.

Além da terra, aparecem reivindicações por direitos básicos já previstos na Constituição. “A gente está aqui para pedir o que já é garantido: saúde, educação, segurança”, afirmou Breno Tupinambá. “O mínimo.”
‘Congresso inimigo dos povos’

Se o governo federal recebe cobranças, o Congresso Nacional aparece é alvo de críticas ainda mais contundentes. Durante o acampamento, cartazes e discursos reforçam o mote de que o Legislativo atua contra os interesses indígenas.

Para Paulo Krikati, a insatisfação está ligada à produção de leis e decisões que não dialogam com a realidade dos povos originários. “Tem uns que são contra nós, os povos indígenas. A gente faz esse movimento para que eles respeitem o nosso direito”, afirmou.

O Legislativo foi o principal alvo de críticas e cartazes na marcha do ATL 2026. Foto: Vinícius Nunes/CartaCapital

Juan Pataxó relaciona a crítica ao que considera falta de avanço nas pautas indígenas dentro do Congresso e à dificuldade de tramitação de medidas favoráveis. Segundo ele, decisões tomadas em Brasília frequentemente não refletem as necessidades dos territórios.

“O Congresso vai contra porque muitas decisões não atingem a realidade das bases”, disse.

O sentimento também é de enfrentamento permanente, independentemente de quem esteja no poder. “A gente vai estar sempre lutando, independentemente de partidos”, afirmou Ana Sateré Mawé. “Se tiver briga no Congresso, a gente vem.”
A marcha

Com marchas previstas até a Praça dos Três Poderes, o ATL se consolida como espaço de pressão direta sobre Executivo, Legislativo e Judiciário. As lideranças deixam claro que a mobilização é parte de uma estratégia contínua.

Além das pautas imediatas, o contexto eleitoral também aparece como pano de fundo. Indígenas esperam que o tema ganhe centralidade nas eleições e cobram compromissos concretos de candidatos.

Objetos foram carbonizados em frente ao Congresso Nacional. Foto: Vinícius Nunes/CartaCapital

A expectativa agora gira em torno de possíveis anúncios do governo e do avanço de processos travados. Lideranças também aguardam reuniões com representantes do Executivo ao longo desta semana.

Ao mesmo tempo, o movimento reforça a autonomia em relação ao governo. “Independente de quem ocupar o cargo, a gente vai estar cobrando juntos”, disse Ana Sateré Mawé.

Assuntos Governo
Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print
Painel Informe Manaus de Satisfação: Gostou da matéria?
Love0
Angry0
Wink0
Happy0
Dead0

Você pode gostar também

“Palácio de Tábuas”: conheça o Catetinho, o marco zero de Brasília

22 de abril de 2026
Governo

Zema se reúne com setor de seguros em Brasília

22 de abril de 2026
Governo

VÍDEO – Idosa é preso por racismo em praia: “Só tem branco em Brasília”

22 de abril de 2026

Pessoas pulam da ponte JK em Brasília, colocando vidas em risco

22 de abril de 2026

Brasília mantém vocação de acolher brasileiros em busca de recomeços

22 de abril de 2026
Governo

Obras e investimentos transformam Recanto das Emas no DF

22 de abril de 2026
Noticiário BrasiliaNoticiário Brasilia