BRASÍLIA – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o banqueiro Daniel Vorcaro a viajar de São Paulo para Brasília no dia 10 de março para prestar depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
No despacho desta sexta-feira (27/2), o ministro proíbe, novamente, que Vorcaro faça a viagem em aeronave particular. Ele apresenta duas alternativas para o banqueiro: voo comercial de carreira ou avião da Polícia Federal (PF).
A participação de Vorcaro na sessão da CAE foi articulada entre a equipe do empresário e o presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). O depoimento será coletado no âmbito dos trabalhos da subcomissão criada para acompanhar e monitorar as investigações sobre o escândalo financeiro do banco de Vorcaro, o Master.
O banqueiro se comprometeu a ir na data marcada, dia 10, às 11h. Se se confirmar a participação dele na CAE, essa será a primeira vez que ele falará após ser preso e o Banco Central (BC) decretar a liquidação extrajudicial do banco.
Vorcaro é investigado pela Polícia Federal e contra ele pesa inquérito no Supremo. O que se investiga são os títulos podres negociados pelo banco dele com o Banco de Brasília (BRB).
A instituição pública teria adquirido mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Master com indícios de fraude. O efeito dominó do escândalo pode ter gerado um rombo de R$ 30 bilhões nos cofres públicos.
Avião da PF
Na terça-feira (24/2), os senadores que compõem esse grupo de trabalho da CAE estiveram reunidos com o ministro André Mendonça para negociar a logística necessária ao depoimento de Vorcaro. Àquela altura, a oitiva aconteceria no dia 3, mas, foi adiada a pedido do próprio banqueiro.
Enquanto relator do inquérito, Mendonça adiantou, ainda naquela reunião, que colocaria a PF à disposição da CAE e do empresário para transportá-lo de São Paulo a Brasília. O ministro também permitiu que os advogados de Vorcaro viagem no avião da polícia na data.
Vorcaro longe da CPI do INSS
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) também queria ouvir Daniel Vorcaro sobre os contratos de empréstimo consignados firmados pelo Master — e sobre os quais recaem suspeitas de irregularidades.
O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), esperava ouvi-lo na quinta-feira (26/2), mas decidiu se antecipar ao depoimento na CAE e remarcou Vorcaro para essa última segunda-feira (23/2). O banqueiro não foi à CPMI.
Respaldado por uma decisão de Mendonça, que facultou a presença dele na comissão, Vorcaro propôs receber um grupo restrito de parlamentares da CPMI em São Paulo. Viana não aceitou essa hipótese.
Os advogados de Vorcaro justificaram a ausência citando que o ministro proibiu o banqueiro de usar um jato particular para ir a Brasília. O empresário não quis viajar em avião de carreira, e Viana afirmou que não achava certo recorrer ao efetivo da PF para o transporte. O impasse não teve solução.
