A nova fase da Operação Compliance Zero elevou o nível de tensão em Brasília não apenas por ter como alvo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Mais do que o temor de que Costa passe a dizer o que sabe sobre o esquema bilionário de Vorcaro, o que assustou os políticos foi a prisão do advogado Daniel Monteiro. Carbono Oculto: Procuradoria de SP deve rejeitar delação de Beto Louco, que segue foragidoINSS: Por que investigação contra Lulinha no STF ainda não avançou Costa é acusado pela Polícia Federal de corrupção passiva e lavagem de dinheiro já que teria recebido como propina seis imóveis de alto padrão avaliados em R$ 146,5 milhões, em troca da aprovação de operações bilionárias envolvendo carteiras de crédito fraudulentas. Ele foi preso preventivamente nesta quinta-feira (16) por determinação do ministro André Mendonça, que é o relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. Mas, nos bastidores da investigação, o interesse maior recai hoje sobre Daniel Monteiro. Advogado de confiança de Daniel Vorcaro, ele operava dentro do Master e da Reag e não montou apenas as empresas de fachada e os fundos usados para comprar os apartamentos dados a Costa que o levaram a ser preso nesta fase da operação. Ricardo Couto: Avisado pelo STF de que deve ficar no cargo, governador interino do Rio troca postos-chaveCongresso: A duas semanas da sabatina, Messias ainda não conseguiu se reunir com quatro senadores De acordo com as investigações, ele era também o responsável por estruturar toda a rede de fundos usados por Vorcaro para pagar propina a políticos e autoridades públicas. Fontes próximas ao ex-dono do Master contam que Monteiro foi apresentado a Vorcaro pelo sócio Augusto Lima, criador do Credicesta, mas em seguida passou a operar também para João Mansur, dono da Reag. Seu escritório foi o segundo mais bem pago pelo Master, conforme mostraram as informações da Receita Federal enviadas à CPI do Crime Organizado. Os pagamentos de R$ 79,1 milhões entre 2022 a 2025 para o Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Sociedade de Advogados são menores apenas do que o valor pago à banca de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Alexandre de Moraes. Fila do INSS: Casa Civil de Lula atrasou plano para reduzir espera, acusa ex-presidente Sua atuação inclui ainda um dos pontos mais delicados da investigação: de acordo com a PF, foi Monteiro quem coordenou a aquisição de participações acionárias no próprio BRB pelo grupo ligado a Vorcaro em transações de R$ 650 milhões que são alvo de um inquérito específico da Polícia Federal. Segundo as investigações, fundos associados ao Master e à gestora Reag atuaram em conjunto para obter uma participação de 23% das ações do BRB em condições consideradas atípicas pelo mercado . Essas operações ocorreram em paralelo à negociação de carteiras de crédito que mais tarde seriam apontadas como fraudulentas. Master: Proposta de delação de Vorcaro terá ressarcimento a fundos de pensãoE ainda: BC se recusa a informar por que autorizou Vorcaro a montar o Master na gestão de Campos Neto Além de atuar em várias frentes dos negócios do Master, Monteiro tem informações sobre o destino do dinheiro que Vorcaro desviou e escondeu fora do Brasil e conhece as interligações desses esquemas com as contas mantidas na gestora Reag. Sabe, portanto, tanto quanto ou até mais do que Vorcaro sobre detalhes das transações realizadas. É por isso que, se ele resolver falar, pode provocar um estrago não só nas negociações para a delação premiada de Vorcaro como também na vida de muita gente que andou pendurada nos contratos e aviões do dono do Master nos últimos anos. O que dizem os investigados Em nota enviada à imprensa, a defesa de Daniel Monteiro disse que o advogado “permanece à disposição da Justiça” para prestar esclarecimentos e alegou que “sua atuação sempre se deu estritamente no âmbito técnico, advogando para o Banco Master, assim como para diversos outros clientes”. Procurada, a defesa de Paulo Henrique Costa não se manifestou.
