A Justiça da Itália aceitou, nesta quinta-feira (26), a extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Roma depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil em duas instâncias.
A tendência é que a ex-deputada seja transferida para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. A defesa da ex-deputada deverá recorrer à Corte de Cassação de Roma. O ministro da Justiça, Carlo Nordio, será responsável por confirmar ou rejeitar a decisão do tribunal.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, multa e à perda do mandato por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inclusão do nome do ministro Alexandre de Moraes no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). Dias após a condenação, a ex-deputada fugiu para a Itália, onde tem cidadania.
A cassação do seu mandato foi votada e negada na Câmara, mas foi determinada por Alexandre de Moraes. O ministro destacou o caráter inconstitucional da manutenção do mandato.
Zambelli participou do julgamento por videoconferência da penitenciária feminina de Rebibbia, onde está presa. A bolsonarista também foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo. O episódio ocorreu na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando perseguiu com uma pistola um homem negro na região da avenida Paulista, em São Paulo (SP).
Em janeiro deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassou o mandato de Zambelli. Os magistrados entenderam que ela cometeu abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação ao espalhar notícias falsas sobre as eleições em 2022. O placar da votação foi de 5 votos a favor e 2 contra.
A defesa de Zambelli tentou então a troca dos juízes em uma audiência que julgaria o mérito da extradição. Segundo a defesa da ex-congressista, o colegiado não seria imparcial no julgamento já que as decisões anteriores indicavam um posicionamento a favor da extradição.
Mesmo presa desde 29 de julho de 2025, a ex-deputada ainda tinha seu nome ligado a solicitações de emendas parlamentares para 2026 na Câmara dos Deputados ao final do ano passado. Apesar de ter seu salário e valores de cota parlamentar cortados, o gabinete da parlamentar seguiu ativo por 6 meses, com salários que vão individualmente até R$ 18.179,88, com a possibilidade de contratação de até 25 funcionários, totalizando um custo de R$ 133.170,54.
