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Indígenas pedem mais valorização do artesanato feito sem máquinas

13 de abril de 2026
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Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub*Por Lívia Laucevicius e José Brasil

O Acampamento Terra Livre (ATL), a maior assembleia de povos originários de todo o país, em Brasília, aconteceu dos dias 5 até 11 de abril. O evento, que tem como objetivo exigir demarcação de terras e visibilizar a cultura originária, contava com uma grande quantidade de barracas de exibição cultural, onde se destacava a venda de artesanato, com peças fabricadas pelas diversas tribos do país.As expressões artísticas indígenas representam uma fonte de renda significativa para indígenas que participaram do último Acampamento Terra Livre, que aconteceu até sábado, em Brasília (DF). 

Ubiranan, da tribo Pataxó, lamentou que não-indígenas reclamam dos preços das peças. “O trabalho meticuloso feito pelos artesãos muitas vezes é ignorado pelos compradores”. Ele explica que alguns trabalhos duram “muitos dias”.

Portanto, ele vê algumas das ofertas que vão abaixo do preço estabelecido como uma desvalorização ao artesanato por eles feito. Segundo ele, é comum, infelizmente, que os compradores peçam descontos.“Desvalorização”

No entanto, a visão ocidental brasileira muitas vezes não dá importância à fabricação desses artesanatos. O indígena e pai Asakiru Yamayawa, da tribo Waurá, busca manter uma visão otimista perante as dificuldades de vendas: agradece a oportunidade de conhecer Brasília e mostra uma postura acolhedora quando é perguntado sobre o significado de suas artes.O indígena, que está estudando Letras em Goiânia, sentiu-se feliz com a troca cultural proporcionada pelo ATL: onde pode explicar o significado de peças que muitas vezes são vistas somente como estética; onde o significado, a história, e a identidade cultural são ignorados. Asakiru menciona até, que ao explicar, isso gera um interesse maior no público.

“A viagem é uns R$ 500 por pessoa. A gente precisa vender bem para poder voltar para casa […] mas valeu a pena ter vindo”

Para Potyra, da tribo Guajajara, que veio do Rio de Janeiro até o ATL, a valorização do artesanato é de suma importância, e eventos como o ATL são bons para abrirem espaços que muitas vezes os artesãos indígenas não possuem. De acordo com ela, o Brasil não valoriza a sua própria arte, e por vezes negligência esse aspecto de sua cultura.

Dentro desse problema, ela usa museus indígenas como exemplo, pois crê que institutos assim deveriam ser dirigidos pelos próprios indígenas, o que muitas vezes não é o caso. Sobre o evento ela teve à dizer que “Aqui não é museu, nós estamos vivos, a arte está aqui”.

Potyra acredita que uma das maneiras de valorizar a arte indígena é primeiramente entendê-la, saber o que cada peça significa, oposto à comprar apenas pela estética. 

Trabalho comunitário

O processo de criação do artesanato envolve a comunidade inteira. Os costumes e o processo de criação é um conhecimento passado de geração em geração, em uma tradição tão antiga quanto a memória do povo. Em certas tendas há peças produzidas por todos os membros da família, e em alguns casos há até a conjunção do trabalho de diferentes famílias.

Existe inclusive um mercado interno nas tribos para a venda do artesanato entre si, diz Hikatua da tribo Kuikuro. E entre os fulni-ô as peças foram abençoadas pelos membros mais velhos da tribo. Exemplos como esses mostram que do começo ao fim, o processo de artesanato é um que representa também união.

O evento como um todo foi é o que é devido ao esforço em conjunto de diversas comunidades, do Brasil e fora, para preservar o seu legado. Os protestos e o artesanato são duas faces da mesma luta em busca de defender os direitos coletivos dos diferentes povos indígenas, enquanto exaltam também a sua cultura individual. Como ressalta Potyra Guajajara “Cada arte tem seu povo, e cada povo tem a sua arte”.*Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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