A capital federal encerrou nesta sexta-feira (13) a programação do II Fórum Cidades Criativas do Design, evento que reuniu especialistas nacionais e internacionais, gestores públicos e profissionais da economia criativa para discutir como o design pode contribuir para o desenvolvimento urbano, a inovação e o turismo nas cidades. Ao longo de quatro dias, o evento contou com painéis, palestras e debates voltados ao fortalecimento da economia criativa e ao papel do design no planejamento urbano. A iniciativa foi promovida pelo Instituto da Associação Comercial do Distrito Federal (IACDF) e com apoio da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF).
O encontro ainda reforçou o reconhecimento internacional de Brasília como Cidade Criativa do Design, título concedido em 2017 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A certificação faz parte da Rede de Cidades Criativas, criada para incentivar cidades que utilizam a criatividade como estratégia de desenvolvimento sustentável. No Brasil, três capitais possuem o reconhecimento na categoria design, Brasília, Curitiba e Fortaleza, que desenvolvem iniciativas voltadas à valorização da economia criativa, da cultura e da inovação no espaço urbano.
Durante o fórum, os organizadores apresentaram a prévia da Rota do Design de Brasília, com um soft opening, uma espécie de abertura experimental antes do lançamento oficial, que incluiu um passeio por pontos icônicos da capital. O percurso passou por locais como a Praça dos Cristais, o Memorial JK, o Parque da Cidade Sarah Kubitschek, as superquadras do Plano Piloto, o sistema de sinalização urbana, a Fundação Athos Bulcão, as chamadas tesourinhas, a Catedral Metropolitana de Brasília e a Praça dos Três Poderes. A proposta da rota é permitir que visitantes e participantes explorem a cidade sob a perspectiva do design, conectando arquitetura, arte e urbanismo.
Foto: DivulgaçãoSegundo Marcos Moreira, presidente do Conselho de Design do Instituto da Associação Comercial do Distrito Federal e diretor-geral do fórum, a proposta foi construída a partir de contribuições de profissionais do setor. “O lançamento da rota, nesta etapa do fórum, foi institucional. Nós estabelecemos cerca de oito a dez pontos a partir de uma escuta pública com agentes do ecossistema do design. O que estamos entregando agora é um protótipo para a Secretaria de Turismo”, explicou.
De acordo com ele, a apresentação realizada durante o evento marca apenas o início do projeto, que ainda deverá passar por aprimoramentos após as discussões promovidas durante o fórum. “A expectativa é consolidar as ideias debatidas nesses dias e apresentar oficialmente o material à Secretaria de Turismo. A previsão é fazer essa entrega em abril, já com uma publicação e com a proposta de incluir a rota no conjunto de itinerários turísticos do Distrito Federal”, afirmou. Moreira destacou ainda que a iniciativa busca aproximar a população do conceito de design e fortalecer o sentimento de pertencimento em relação à cidade. “A ideia não é apenas atrair visitantes de fora. Queremos que a própria população de Brasília entenda o que é o design, compreenda a importância desse título de cidade criativa e vivencie essa experiência no cotidiano”, disse.
O subsecretário de Turismo do Distrito Federal, Franklin Martins, afirmou que iniciativas como a Rota do Design podem ampliar as experiências turísticas e educativas na capital. Segundo ele, o percurso pode ajudar visitantes, estudantes e profissionais a compreender melhor a relação entre arquitetura, urbanismo e planejamento da cidade. “Essa rota pode ajudar visitantes, estudantes de design e pessoas interessadas em arquitetura e urbanismo a entender melhor como Brasília foi pensada e construída. É uma forma de transformar a cidade em um espaço de aprendizado e experiência”, afirmou.
Martins destacou ainda que o design está presente em diferentes aspectos do cotidiano e vai muito além da criação de produtos. “Muita gente pensa que design é apenas criar objetos, mas ele está em tudo, nos espaços que frequentamos, nos objetos que usamos e na forma como as cidades são planejadas”, explicou.
Para o subsecretário, iniciativas como o fórum também são importantes para fortalecer o reconhecimento internacional da capital. “Esse título precisa ser constantemente defendido. Por isso promovemos encontros como este, que reúnem especialistas para discutir como o design pode contribuir para o turismo, para a economia criativa e para o desenvolvimento das cidades”, disse.
Durante os quatro dias de programação, o fórum promoveu discussões sobre temas como “Cidades do Design”, “O Design Brasileiro” e “Design Sem Fronteiras”. No primeiro dia, o evento contou com painéis que reuniram representantes das três cidades brasileiras reconhecidas pela Unesco na área do design. Nos dias seguintes, especialistas e convidados nacionais e internacionais participaram das discussões. Entre eles estava o designer, professor e consultor Bruno Porto, que atualmente vive no Canadá, a ex-ministra Dorothea Werneck e o especialista Ricardo Sastre, mestre em design, doutor em engenharia de produção e pós-doutor em design sustentável. A proposta do fórum foi promover colaboração, intercâmbio, debates e parcerias mediadas pelo design, com foco no desenvolvimento urbano sustentável e no fortalecimento da economia criativa.
