Senador ocupará sala usada pelo ex-presidente na sede do partido e inicia nova fase da pré-campanha ao Planalto
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passará a despachar do gabinete que era ocupado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na sede nacional do PL (Partido Liberal), em Brasília. Aliados tratam a mudança como o início de uma nova etapa da pré-campanha do congressista ao Palácio do Planalto.
A sala fica no 9º andar do Complexo Brasil 21, no centro da capital federal. O espaço estava desocupado desde a prisão domiciliar de Bolsonaro, decretada em agosto pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Em novembro, o ex-presidente começou a cumprir a pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado em regime fechado.
Dentro do partido, a ocupação do gabinete é vista como um gesto simbólico. Integrantes da cúpula do PL avaliam que Flávio consolida sua condição de herdeiro político do bolsonarismo e de pré-candidato oficial da legenda à Presidência.
O gabinete fica acima da sala da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher. Michelle foi apontada por aliados como possível alternativa eleitoral após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, mas acabou preterida no processo de definição do nome do partido e teve indicação de Bolsonaro para disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.
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FLÁVIO NAS PESQUISAS
Na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio pelo apoio de governadores nas eleições presidenciais, o petista sai na frente com mais gestores locais ao seu lado, mas o filho do ex-presidente conta com o apoio de Estados que concentram um número maior de eleitores.
Lula tem, até agora, o apoio de 12 governadores, que estão à frente de Estados com um total de 52,7 milhões de eleitores. Flávio conta, por enquanto, com o respaldo de 5 governadores que comandam 58,3 milhões de eleitores. Todos os 5 têm taxas de aprovação acima de 50% para suas administrações. No caso de Lula, 9 dos 12 governadores pontuam mais de 50% na aprovação de seus governos.
O mapeamento, feito pelo Poder360, mostra que o atual presidente parte na frente no número de governadores que devem apoiar a sua candidatura. Mas o campo bolsonarista avança em colégios eleitorais maiores.
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No 2º turno, porém, a tendência é que Flávio consolide mais apoios nos Estados, chegando a 13 governadores. Lula, candidato único da esquerda, manteria os mesmos 12. Dois governadores não deram indicação de apoios no 2º turno: Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, e Gladson Cameli (PP), do Acre. O 1º ainda pleiteia a vaga de candidato a presidente. O 2º tem se dedicado a responder processos na Justiça e evita se posicionar nacionalmente.
Flávio Bolsonaro tem palanque confirmado em 5 Estados: Distrito Federal, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo –este último o maior colégio eleitoral do país, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal nome do campo conservador à frente de um governo estadual. Seu nome ainda é especulado para a disputa presidencial.
Outros 8 Estados têm governadores com tendência a apoiar Flávio, mas sem posição formalmente declarada: Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Roraima, Goiás, Paraná e Tocantins. Aliados de Flávio afirmam que as conversas para fechar palanques e apoios ainda estão em andamento.
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