A Força Aérea Brasileira (FAB) empregou, pela primeira vez, nesta terça-feira, o uso dos caças supersônicos F-39 Gripen na defesa do céu de Brasília. Essa ação fez parte das atividades permanentes de policiamento do espaço aéreo brasileiro e foi coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (Comae). As aeronaves utilizadas foram produzidas pela fabricante sueca SAAB e serão acionadas em missões de defesa, ataque ao solo e reconhecimento no Distrito Federal. Veja mais: Avião interceptado pela FAB tinha matrícula cancelada por ‘perecimento’; entendaDecolagem cancelada: Avião da Latam com destino a Lisboa aborta decolagem em SP quando já estava em alta velocidade Segundo o tenente-coronel Aviador Gustavo de Oliveira Pascotto, o serviço de alerta de defesa aérea, que aciona as aéronaves, funciona 24 horas por dia, com equipes sempre de prontidão para decolar caso haja algum chamado. Sempre que o sistema da FAB detecta uma aeronave que, por algum motivo, não está cumprindo as regras de tráfego aéreo, uma ordem de saída para os caças é emitida. Pascotto é coordenador de Operações da Base Aérea de Anápolis, ponto de partida dos F-39 Gripen, localizada em Goiás. O militar explica que o no momento em que o alerta é disparado, toca uma sirene no local, e o grupo em serviço tem poucos minutos para se direcionar à aeronave, se equipar e verificar o funcionamento adequado de todo o avião para atender à demanda que acionou o alarme. O primeiro uso dos caças integrou uma dessas missões e foi coordenado pelo Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) de Jaguar. Seus componentes são os responsáveis pela operação das aeronaves F-39 Gripen da FAB e contribuem com a proteção aérea da capital federal. — A aeronave está pronta para decolar, caso seja acionada, tendo como finalidade a missão-fim da nossa Força, que é garantir a soberania do espaço aéreo. Devido à tecnologia embarcada nessa aeronave, ela tem alto poder dissuasório e coloca o Brasil na vanguarda em termos de capacidade de defesa aérea — afirmou o tenente-coronel sobre o modelo F-39 Gripen, que reúne sistemas, sensores e armamentos modernos em sua composição. Já há dez modelos do avião em operação na Base Aérea de Anápolis, com o primeiro tendo chegado em 2022 e o último em novembro do ano passado. A aquisição integra o Projeto F-X2, considerado pela FAB como um dos maiores programas de transferência de tecnologia já firmados pelo Brasil, sendo responsável por levar mais de 300 engenheiros brasileiros para receberem treinamento na Suécia. Ainda segundo a FAB, a ação resultou na geração de centenas de empregos diretos e indiretos, além do desenvolvimento de produtos inovadores associados à aeronave. É esperada a chegada de mais 26 exemplares do F-39 Gripen para integrarem a missão. De acordo com a Força Aérea, o amadurecimento operacional do F-39 Gripen foi consolidado no fim de 2025, quando foi concluída uma sequência de campanhas de ensaios e exercícios no Brasil, como os lançamentos reais do míssil Meteor e o primeiro tiro aéreo com canhão, que validou o poder da aeronave para situações reais de alerta de defesa aérea. Os resultados foram ampliados neste ano, com práticas de separação segura de bombas. “Com o F-39 Gripen plenamente integrado ao sistema de defesa aeroespacial, a Força Aérea Brasileira passa a dispor de um vetor moderno, interoperável e alinhado aos mais elevados padrões internacionais. O resultado é o aumento da capacidade de resposta do país diante de ameaças ao espaço aéreo, o fortalecimento da soberania nacional e a consolidação de um novo patamar de prontidão operacional” apontou a FAB em nota.
