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Do desfile de Pelé à formação da ‘Broadway candanga’: revisitando a W3 Sul

21 de abril de 2026
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Em dezembro de 1968, o Correio Braziliense publicou um perfil sobre a W3 Sul descrevendo o cotidiano da avenida recém-inaugurada. A matéria, assinada pela repórter Maria Valdira, mostra uma W3 ainda jovem, mas com calçadas pulsantes — durante o dia e a noite.
Táxis, comércio incipiente, postos telefônicos, blocos de carnaval, cinema e até pontos de paquera fazem parte do cenário apresentado no perfil “Uma rua chamada W-3” (com hífen, como se escrevia à época).
Página do Correio Braziliense, de 20 de dezembro de 1968
(foto: Cécé/Cedoc/CB)
 
O perfil ressalta o clima de novidade que envolvia os primeiros anos de Brasília, com turistas brasileiros e estrangeiros chegando para conhecer a famosa avenida. Nem Guará, nem Ceilândia haviam sido inauguradas, e a ocupação na W3 Norte ainda dava os primeiros passos. Assim, a W3 Sul era o verdadeiro polo comercial do Distrito Federal — tão jovem que ainda não tinha semáforos. 
A repórter relata que corria um boato de que a chegada de novos centros comerciais levaria a W3 Sul a perder o caráter comercial e voltaria a ser uma rua qualquer do Plano Piloto, com pequenas lojas e mercadinhos. 
“Esta ideia não tem aceitação no meio do brasiliense, que já se acostumou com a estrutura rebelde da W3, tão famosa que suscita sempre nos turistas a primeira pergunta: ‘E a W3, onde fica, como é?’”, escreveu Valdira, mostrando que o carinho da cidade pela avenida não é de hoje.

12/07/1984. Credito: Marcos Ottoni/CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Engraxates na W3-SUL. Caption
Marcos Ottoni/CB/D.A Press




23/12/1982. Crédito: F. Gualberto/CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Populares transitam ao lado de camelô, no comércio da avenida W3 sul. Caption
F. Gualberto/CB/D.A Press




10/12/1984. Crédito: F. Gualberto/CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Comércio na avenida W3 Sul. Caption
F. Gualberto/CB/D.A Press






11/12/1979. Crédito: Lourdes Calvo/CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Populares transitam no comércio da avenida W3 sul. Caption
Lourdes Calvo/CB/D.A Press



Local de encontros
“Se você quer ser visto no seu carro do ano terá de indubitavelmente ‘desfilar’ pela W3”, avisa o perfil. Ou seja, naqueles primeiros anos de Brasília, grande parte da vida social dos brasilienses acontecia ali na avenida mesmo. 
Os pontos de paquera e de encontros que aparecem na reportagem já não existem mais: Mocambo, Banco Lowndes, Posto Telefônico, Restaurante Perla, Cine Cultura e DFL. Atualmente, os candangos que saem em busca do flerte contam com outras opções nas regiões administrativas e na Asa Norte, deixando a W3 Sul reservada ao comércio do dia a dia. 
No entanto, W3 segue sendo um espaço de contato humano em uma cidade conhecida pelas distâncias. Ainda é possível encontrar amigos nos pontos de ônibus da avenida; observar as centenas de estudantes no fim da tarde; fazer uma boa refeição em restaurantes clássicos como o Elyzeu (513 Sul) ou Roma (511 Sul), além de visitar as poucas bancas de revistas  e quiosques que resistem por ali.   
O que não acontece mais é se deparar com a multidão nas calçadas descrita pela repórter: “Ao transitar por ela (a W3 Sul), você sente a presença viva de centenas de pessoas que cruzam o seu caminho, esbarram em você, ou cumprimentam se são conhecidas ou trocam ideias”.
Apesar de o comércio local persistir, o movimento em nada se compara ao auge da avenida, nas décadas de 1960 e 1970.
Uma avenida cara
Atualmente, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, é o metro quadrado mais caro do país, de acordo com o Índice FipeZAP. No ranking de fevereiro de 2026, Brasília só aparece no 12º lugar, com o preço médio de R$ 9.978 por metro quadrado. 
Já em 1968, o perfil do Correio mostrou que a W3 ficava atrás apenas de Copacabana, no Rio de Janeiro, entre as localidades mais caras do Brasil. “Quem não comprou seu lote no início da construção de Brasília nesta avenida por excelência comercial, precisaria hoje de muito dinheiro para adquirir o menor deles”, escreveu a repórter. 
Em uma avenida onde se podia encontrar “desde um envelope, uma agulha ou até um carro que custa 25 milhões de cruzeiros”, a reportagem mostra que casas de alto padrão chegavam a custa até “45 mil cruzeiros” (algo em torno de R$ 580 mil, atualmente).
O preço dos aluguéis continua alto na avenida, criando obstáculos para que mais comércios se mantenham por ali (leia neste especial). A variedade no comércio também se mantém, com lojas de roupa e de utensílios domésticos, salões de beleza, oficinas e bares. Como diz o perfil, “os menores e os maiores negócios se realizam nesta avenida”. 
A W3 não é uma Wall Street, como apontava a repórter. Talvez não seja nem de longe a “Rua Augusta ou a Copacabana de Brasília”, mas não há dúvidas de que a avenida se mantém atravessando o coração e as histórias dos brasilienses que passam por ali.
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Pelé na W3
Ainda no espírito dos grandes momentos da W3, a avenida recebeu um visitante ilustre em 13 de julho de 1971. O rei Pelé fez um desfile em carro aberto pela W3 Sul e, como as imagens mostram, foi recepcionado por uma multidão de apaixonados pelo futebol. 
Entre o fim da década de 1960 e o início de 1970, Pelé consolidou a realeza no futebol mundial. Em 1969, o craque parou o mundo ao marcar seu milésimo gol contra o Vasco da Gama, no Maracanã. No ano seguinte, atingiu o ápice da carreira ao liderar a Seleção Brasileira na conquista do tricampeonato mundial, na Copa do México, sendo eleito o melhor jogador do torneio. Pelo Santos, acumulou títulos estaduais e nacionais, além de excursões globais que transformaram o clube em um fenômeno de entretenimento e elevaram o “Rei” ao status de maior ícone esportivo do planeta.
Crédito: Arquivo CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Futebolista brasileiro Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé, acena em cima do carro para a multidão durante desfile dos campeões pela W3 Sul. Caption
(foto: Arquivo/CB/D.A Press)

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