Meus fofoqueiros de elite, eu estava aqui imaginando que teria um dia calmo, um café, um corretivo decente e um respiro, quando me aparece Brasília servindo pauta séria com cara de grande articulação de bastidor. E eu gosto, viu. Porque resistência antimicrobiana pode até soar assunto de gabinete para distraído, mas o negócio é daqueles que mexem com hospital, laboratório, política pública e futuro da saúde, tudo no mesmo pacote, sem glitter, mas com muita urgência.
A CBDL escolheu a 1ª Reunião Regional Américas e Caribe sobre Resistência aos Antimicrobianos, realizada entre 23 e 27 de março na sede da Embrapa, em Brasília, para lançar oficialmente a obra “Mapeamento das abordagens global e nacional do diagnóstico in vitro diante da questão da resistência antimicrobiana em humanos e direcionamento do papel da CBDL”. Sim, o nome é grande, meu amor, mas o assunto também é. Estão à frente desse lançamento o presidente executivo da entidade, Carlos Eduardo Gouvêa, e a diretora técnica Josely Chiarella, com um material que junta análise, dados, recomendações e um posicionamento claro do setor sobre o papel do diagnóstico in vitro nesse embate.
Foto: Divulgação
O livro foi elaborado pela CBDL com participação da economista Patrícia Marrone, revisão técnica de Fábio Arcuri, colaboração do infectologista Ruan Fernandes, além de Jacqueline Sousa e da própria Josely Chiarella. A publicação traz desde carta de abertura assinada por dirigentes da entidade, entre eles Fúlvio Facco, até uma introdução detalhada sobre RAM e capítulos dedicados ao papel da OMS, às entidades internacionais envolvidas no tema, às iniciativas em curso no Brasil até 2025 e às recomendações de políticas públicas. Eu tive que sentar para processar, porque não estamos falando de folder simpático de evento, estamos falando de um position paper que quer entrar na conversa grande e com cadeira puxada.
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E ainda tem o segundo ato desse roteiro, porque a CBDL também leva ao encontro a Debi Boeras, do Global Health Impact Group, no dia 25, para apresentar instrumentos de educação em RAM que serão disponibilizados ao Brasil em conjunto por SBAC, SBPCML e CBDL. Aí eu vejo método, estratégia e aquela velha vontade de ocupar espaço com conteúdo e articulação, coisa que muita entidade promete e pouca entrega com essa embalagem toda. No meio disso, o livro ainda vem recheado de quadros, gráficos, mapas, redes laboratoriais, dados sobre septicemia, infecções sexualmente transmissíveis, patógenos prioritários e mortes associadas à RAM no Brasil, ou seja, munição técnica para quem quiser discutir o tema sem achismo de corredor.
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Carlos Eduardo Gouvêa resume a ambição da obra ao dizer que a RAM é um dos maiores riscos ainda invisíveis para a humanidade e que o objetivo é propor ações concretas e viáveis para os diferentes atores do setor. Eu diria que a CBDL fez uma entrada daquelas, de salto alto institucional, escolhendo um evento internacional, uma pauta incontornável e um material com cara de legado. Brasília adora uma mesa redonda, meu bem, mas dessa vez tem livro, articulação e recado claro, quem dormir no ponto diante da resistência antimicrobiana vai acordar atrasado para uma crise que já está batendo na porta do laboratório.
