A Quaresma teve início nesta quarta-feira de cinzas. Durante esse período, são várias as promessas e reflexões envolvendo a fé cristã. Uma delas diz respeito ao consumo de carne vermelha. Por todo esse período, algumas pessoas seguem à risca e a tiram completamente do cardápio. O prato principal para muitos é o peixe. No Distrito Federal, os brasilienses já se movimentam para garantir substituir a carne vermelha pelo peixe.
É o caso de Eduardo Marques, de 23 anos. Morador do Gama, ele contou ao Jornal de Brasília que, juntamente com a esposa, não come nenhuma carne vermelha até o fim da Quaresma. Portanto, Eduardo não perdeu tempo e foi logo às compras para ter bastante peixe para o período. “É um período que eu sigo à risca. Geralmente eu compro muito peixe, de vez em quando eu vario com o ovo, mas eu não consumo carne vermelha”, relatou.
Eduardo disse que a tradição de não comer carne vermelha no período da Quaresma vem desde à infância. Hoje, ele ainda continua com o costume. “Eu vivi durante muito tempo com minha família com sete pessoas. Então todo mundo seguia certinho”, comentou. Durante essa época, sobretudo próximo à quarta-feira de cinzas e à sexta-feira santa, o consumo de peixe aumenta para manter a tradição. “Conforme vai chegando no final [da quaresma] o peixe vai aumentando o valor. É porque tem muita gente que deixa para não consumir a carne na sexta-feira santa”, apontou Eduardo.
Ele ainda ressaltou que essa época não se restringe apenas em não consumir carne vermelha, mas que se trata de um esforço maior para colocar em prática a fé católica. “Bebida alcoólica a gente não consome, nós evitamos. Quem tem algum hábito, algum vício, tenta deixar de lado durante a Quaresma. É um período que a gente realmente leva a sério para ficar em santidade com Deus. A gente sente que é um período que é preciso levar essa essa cultura. Que é um período que Deus deixou para a gente seguir”, completou.
Jejum, oração e fé
O Papa Leão XIV, na mensagem para a Quaresma, ressaltou que esse período é o tempo em que a Igreja convida a recolocar o mistério de Deus no centro da vida dos fiéis, para que a fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do cotidiano.
As moradoras do Cruzeiro, Maria Paula, 75, e Diva Meireles, 70, também mantêm os hábitos do período. Apesar disso, elas entendem que por uma questão de saúde, certas tradições, como o jejum de alimentos, não precisam ser seguidas de forma tão rígida. “Eu fazia [jejum]. Hoje em dia eu não, mas eu respeito muito a Quaresma, até porque eu sou católica. A própria religião, no caso católica, deixa algumas liberações para pessoas a partir dos 70 anos porque existem muitas pessoas da nossa faixa de idade que não têm uma saúde tão boa a ponto de ficar jejuando”, comentou Maria Paula.
Entretanto, Diva pontuou que é possível fazer outros tipos de jejum nesse período. “Eu, hoje, vou tirar o dia para jejuar com o celular, não pego no celular. Guardo o celular na gaveta, só vou pegar no outro dia. Costuma-se dizer na religião que Nossa Senhora jejuava muito. Inclusive, ela jejuava todas as quartas e sextas-feiras”, destacou.
Para elas, a Quaresma é um momento para reafirmar a fé católica. “Na Quaresma, eu sempre fiz [jejum] na quarta de cinzas e na sexta-feira santa, confesso também no começo e sempre vou às missas nos domingos de Quaresma”, explicou Maria Paula. Já sobre as tradições cristãs, Diva enfatizou que “o ano inteiro eu dou a mesma importância que eu dou na Quaresma”.
Eduardo Marques mantém a tradição de não comer carne vermelha durante os dias da Quaresma. Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília.
