Na tarde desta terça-feira (28), movimentos populares se reuniram em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Brasília (DF) para denunciar agressões imperialistas contra o Oriente Médio e a América Latina, lideradas pelo governo de Donald Trump, em aliança com Israel. O ato, convocado pelo Comitê de Solidariedade à Palestina do Distrito Federal e pelo Movimento Palestina Livre, declarou solidariedade aos povos da Palestina, Irã, Líbano, Cuba e Venezuela, em meio a uma escalada de conflitos que tem deixado milhares de vítimas civis desde 2023.
O protesto ocorre em meio a ataques militares e sanções econômicas promovidas pelos EUA e seus aliados, além do bloqueio sistemático ao reconhecimento internacional da Palestina como Estado soberano.
A ofensiva recente contra o Irã cerca uma disputa geopolítica que envolve o controle de petróleo, gás e o desenvolvimento nuclear iraniano. Para os manifestantes, trata-se de mais um capítulo da política externa estadunidense baseada na guerra permanente e na violação da soberania dos povos.
Imperialismo, bloqueios e interesses
No centro das críticas está o papel dos Estados Unidos no financiamento e sustentação das ações militares israelenses, além do bloqueio ao reconhecimento da Palestina como Estado. Durante o ato, os manifestantes reforçaram que a retórica de “segurança” encobre interesses econômicos e estratégicos.
Integrante do Comitê de Solidariedade à Palestina, Otamir de Castro relacionou a crise interna dos EUA com a necessidade de manter sua indústria bélica ativa. “Agora eles querem vender armas em outros lugares e começam a provocar guerras em tudo quanto é canto”, disse. Ele aponta que há uma tentativa de expandir os ataques também sobre a América Latina e, ao mesmo tempo, o caráter de resistência dos povos nos territorios
“Somos contra a guerra, mas para defender a vida de crianças e mulheres, nós colocamos a cara a tapa. Queremos uma paz justa, não imposta com mísseis”.
Luiz Henrique Costa, integrante do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), também denuncia o caráter estrutural do imperialismo que historicamente promove invasões e guerras. “A luta pela paz exige enfrentar a injustiça”, destacou, conectando o cenário atual a processos históricos de luta dos povos.
Brasil e campo de disputa
O protesto em Brasília também teve como alvo o Projeto de Lei 1.424/2026, da deputada Tabata Amaral (PSB), que busca criminalizar críticas ao Estado de Israel ao associá-las ao antissemitismo.
Para Castro, essa narrativa é sem sentido e parte de uma estratégia política. “Criticar Israel não é antissemitismo. Não aceitamos essa mentira. Sionismo é a face do imperialismo”. A avaliação foi reforçada por outros participantes, que enxergam na proposta uma tentativa de silenciar a solidariedade internacional à Palestina e restringir o debate político no Brasil.
Solidariedade internacional
As falas no ato também destacaram a dimensão internacional da luta. O militante venezuelano Freddy Meregote afirmou que os conflitos atuais fazem parte de um mesmo enfrentamento global. “A luta iraniana, a luta de Gaza, a luta venezuelana e cubana são a mesma luta”, apontando o imperialismo norte-americano como “inimigo comum dos povos”.
Ele também denunciou ações contra a soberania venezuelana, afirmando haver uma perseguição política em curso e convocando a solidariedade internacional. Como destacou, trata-se de uma ofensiva direta contra a autodeterminação do país: “o povo venezuelano e do mundo não vamos descansar até a libertação do nosso casal presidencial, Nicolás Maduro Moros, presidente legítimo, prisioneiro de guerra nos Estados Unidos”, afirmou, denunciando que a ação dos EUA ocorre porque a Venezuela “é um símbolo da resistência revolucionária e alvo por suas riquezas”.
Ao mesmo tempo, Luiz Henrique Costa lembrou episódios recentes de violência, como o assassinato de uma família brasileira no Líbano, relacionando o impacto entre as guerras.
A dimensão simbólica e cultural da resistência também esteve presente. Ismene Serra, integrante do coletivo Borda Luta, destacou como a arte pode ser um instrumento político. “Nós procuramos atuar nas causas progressistas através do artesanato”, explicou, relatando que o grupo, formado majoritariamente por mulheres, constrói painéis que expressam solidariedade aos povos em luta.
Em sua análise, o imperialismo atua diretamente sobre os recursos naturais dos países. “O que realmente acontece é que o imperialismo, seja diretamente dos Estados Unidos ou através dos seus cães de guerra, como Israel, usa desculpas para dominar e tomar conta das reservas naturais”, afirmou.
”Eles querem petróleo, eles querem gás, eles querem água, querem tudo que garante a sobrevivência e a soberania dos povos”, completou Ismene.
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