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No Dia do Trabalho, Brasília recebe mobilização por justiça animal

27 de abril de 2026
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Gisele Flores

| 28 de abril de 2026

Da comoção à cobrança: o Brasil leva a causa animal ao centro do poder. Foto: Marcos Billy Trojan

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Manifestação cobra CPI e expõe avanço dos maus-tratos no Brasil, com casos como Orelha e Johnny
Brasília será palco, no dia 1º de maio, de uma mobilização que consolida uma mudança no comportamento da causa animal no país: da indignação pontual para a pressão institucional. Em frente ao Congresso Nacional, ativistas, protetores independentes e representantes de diferentes regiões se reúnem para cobrar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e respostas concretas diante da escalada de crimes de maus-tratos.
O movimento ganha força em um contexto de crescimento consistente desses crimes no Brasil. Em 2025, o país registrou 4.919 processos por maus-tratos a animais, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça — uma média de 13 casos por dia e um aumento de mais de 21% em relação a 2024. Em comparação com 2020, quando foram registrados pouco mais de 200 casos, o avanço ultrapassa 1.900% em cinco anos, evidenciando a dimensão do problema.
Os números ajudam a explicar por que episódios recentes deixaram de ser tratados como casos isolados. A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, em janeiro de 2026, tornou-se um marco dessa mobilização. O animal, que vivia há cerca de uma década na Praia Brava e era cuidado por moradores, foi encontrado com sinais graves de agressão e não resistiu. O caso gerou protestos em diversas cidades e impulsionou propostas legislativas para endurecimento das punições.
Outro episódio que reforça essa percepção é o do cão Johnny, em Goiânia, que também passou a simbolizar a fragilidade da proteção animal diante de situações de violência extrema. Para os organizadores da manifestação, a repetição desses casos evidencia uma falha estrutural — não apenas na legislação, mas na aplicação das normas existentes.
“Não estamos mais diante de episódios isolados. Existe um padrão que se repete e uma dificuldade clara de resposta institucional”, afirma um dos articuladores do ato. “Sem investigação estruturada, a impunidade tende a se manter.”
A mobilização também ocorre em meio a recentes mudanças normativas. Em março de 2026, o governo federal ampliou significativamente as multas por maus-tratos, que passaram a variar de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, podendo chegar a R$ 1 milhão em casos agravados. A medida reforça a tentativa de endurecer punições, mas, na avaliação de ativistas, ainda não resolve a fragilidade na fiscalização e na prevenção.
Entre as principais reivindicações do ato estão a criação de orçamento específico para políticas de proteção animal, ampliação de programas públicos de castração, oferta de atendimento veterinário para animais em situação de vulnerabilidade e apoio institucional a protetores independentes. Hoje, grande parte dessas ações depende de iniciativas voluntárias, sem estrutura permanente.
A presença de nomes conhecidos da causa animal reforça o alcance nacional da mobilização. Kabelo Crespo, Estefânia Mota, Fernando Silva, Diego Sanchez e Camilla Lagertha confirmaram participação, reunindo diferentes frentes de atuação — do resgate à mobilização pública.
Estefânia Mota, que passou a atuar após perder seu animal em um caso de violência, resume o sentimento que move o ato. “Quando isso acontece, não é só um animal. Existe uma falha que poderia ter sido evitada. A gente precisa parar de reagir só depois que acontece.”
A escolha do Congresso como local da manifestação marca uma mudança de estratégia. A pauta, antes concentrada em redes sociais e protestos regionais, passa a buscar inserção direta no debate legislativo e na formulação de políticas públicas.
A expectativa é de um ato pacífico, mas com forte capacidade de pressão. Em um país onde ainda há cerca de 30 milhões de animais em situação de abandono e milhares sob tutela de organizações e protetores, a mobilização amplia a cobrança por medidas estruturais.
Mais do que um protesto, o ato em Brasília representa a tentativa de transformar uma sequência de casos — como os de Orelha e Johnny — em um ponto de pressão contínuo sobre o poder público. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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