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Governo

UnB exibe documentários que contam a história de Brasília ao longo do mês de abril

22 de abril de 2026
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O cineclube da Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB) está apresentando a Mostra de Curtas Brasília: 66 anos, com uma seleção de filmes documentais sobre a formação do Distrito Federal e suas contradições. Com organização do bibliotecário Jefferson Dantas e curadoria do jornalista Júlio Camargo, os encontros ocorrem toda quarta-feira, às 12h, até o dia 29 de abril.

É comum que, no mês de aniversário de Brasília, sejam veiculadas propagandas da inauguração da capital como um grande triunfo do urbanismo moderno. Porém, por trás dos mitos expostos nas vitrines do Governo do Distrito Federal, existe a contraface de uma cidade que se revela muito mais por aquilo que é excluído e escondido do que por seus monumentos centrais.

Em 2024, o Brasil de Fato DF publicou uma lista de documentários que destacavam a diferença entre expectativa e realidade na capital. A proposta da curadoria da Mostra de Curtas Brasília: 66 anos é derivada dessa lista e atualiza o repertório com alguns curtas que ficaram de fora.

O objetivo é apresentar uma visão sobre Brasília e o Distrito Federal que acompanha desde os mitos fundadores até a concretização de uma realidade socialmente desigual. Ao mesmo tempo, a seleção de títulos apresenta também a própria evolução do documentário e do filme de registro como ferramenta comunicacional que flagrou diversos cenários sociais ao longo das quase sete décadas desde o início da construção.

Brasília, contradições de uma cidade nova (Joaquim Pedro de Andrade, 1967)De acordo com Jefferson Dantas, organizador geral do cineclube da Biblioteca Central (BCE) da UnB, “sempre quando é o mês de abril, a questão da construção de Brasília é um tema que deve sempre se fazer presente na discussão dentro da academia”. 

A curadoria organizou os filmes de forma que fosse possível acompanhar a cronologia da lógica de ocupação do espaço urbano do DF e suas consequências sociais. Assim, no primeiro dia, os filmes apresentaram dois curtas propagandísticos produzidos na época da construção e inauguração; e dois filmes do final da década seguinte, já marcando as “contradições de uma cidade nova”.

Nesse período, como é retratado nos filmes, é possível ver o processo de construção dos prédios centrais e posições cartesianas em que fica subentendido uma higienização dos problemas sociais de maneira artificial. A consequência disso é um processo de segregação planejada e expulsão dos trabalhadores candangos para regiões periféricas e marginalizadas conhecidas como cidades-satélites, como revelam documentários de Brasília, contradições de uma cidade nova (Joaquim Pedro de Andrade, 1967) e Brasília Segundo Feldman (Eugene Feldman e Vladimir Carvalho, 1979).

Também se destacam as péssimas condições de trabalho durante a construção da capital, com jornadas que poderiam chegar a 16 horas de serviço, e o motim contra comida estragada que culminou no Massacre da Pacheco Fernandes, operado pela polícia da Novacap em fevereiro de 1959.

Rap, o canto da Ceilândia (Adirley Queirós, 2005) O segundo dia de encontro observou as ocorrências após os anos 1970. Os filmes Invasores ou Excluídos (Cesar Mendes e Dulcídio Siqueira, 1989) e Rap, o canto da Ceilândia (Adirley Queirós, 2005) apresentam a consolidação da Ceilândia como pólo periférico. Também foi exibido Cata(dores) (Webson Dias, 2011), sobre catadores do antigo lixão da Estrutural, como complemento da formação periférica marcante no DF.

Além de abordarem a exclusão social e territorial em paralelo ao centro do poder federal, os três filmes também mostram que há nas periferias brasilienses uma enorme capacidade de organização para lutas sociais. São contadas histórias como a formação do coletivo Os Incansáveis, na luta por moradia digna nos anos 1970, o surgimento do movimento Hip Hop como contracultura suburbana forte nos anos 1990 e 2000 e, por fim, movimento de trabalhadores do monturo em parceria com moradores da Estrutural.

Kiss kiss Kissinger (Jimi Figueiredo, 2007)No terceiro dia de apresentação, o cineclube retornou ao centro do território brasiliense com registros sobre o desenvolvimento do núcleo tombado como patrimônio material, que sofreu agravantes do processo de exclusão social promovida por intenções políticas segregacionistas. Filmes como Kiss kiss Kissinger (Jimi Figueiredo, 2007) e Badernaço: dia que não acabou (Marcelo Emanuel e Eliomar Araújo, 2008) mostram que, apesar do fato de Brasília ser um projeto planejado para afastar e reprimir protestos antes que cheguem ao centro da cidade, os movimentos sociais e as revoltas populares estão presentes.

Também foram exibidos Rodoviária (Cesar Mendes, 1990) e No olho da rua (Maria Lúcia Pinto Leal, 1991), dois retratos ácidos e atuais sobre a marginalização de crianças e adolescentes na Rodoviária do Plano Piloto.

Nesta quarta-feira (22), será exibido o documentário de longa-metragem Ressurgentes, um filme de ação direta (Dácia Ibiapina, 2013), que acompanha movimentos sociais e lutas de classe no período de 2005 a 2013, período que ocorreram os protestos contra corrupção no governo de José Roberto Arruda, e a especulação imobiliária para construir o Noroeste no Santuário dos Pajés, solo considerado sagrado para as comunidades indígenas Fulni-ô e Tuxá.

Ressurgentes, um filme de ação direta (Dácia Ibiapina, 2013)O último encontro encerra com documentários que exploram as questões ecológicas e problemas ambientais no Distrito Federal. O curta Agrofloresta no meio do caminho (Lorena Figueiredo, 2023) apresenta espaços de agroflorestas urbanas no Plano Piloto de Brasília para valorizar essas iniciativas que promovem a sustentabilidade nas cidades.

Águas emendadas: uma constelação de nascentes (Adeilton Oliveira e Robson Eleutério, 2024) retrata a importância de preservação da Estação Ecológica de Águas Emendadas na região de Planaltina e seu potencial hídrico. Atualmente as nascentes estão sob ameaça de contaminação por chumbo e asfaltamento irregular. Já Incêndios, poluição e ciência cidadã no Distrito Federal (Carlos Henke de Oliveira, 2025) aborda o avanço de grandes queimadas nas regiões de mata e preservação no DF, bem como a organização de bombeiros voluntários.

Jefferson Dantas destaca que o conjunto de filmes, histórias e debates ao longo dos encontros tem um caráter formativo, pois fica evidente a evolução da cidade e seus problemas metropolitanos com “uma outra visão sobre os conflitos mais atuais da cidade”. Ele pontua que o elemento central de todas as abordagens críticas sobre Brasília é a questão da moradia. “Os filmes retratam muito isso e acho que os diretores documentaristas em Brasília conseguiram captar essa realidade em diferentes momentos. É um fator que está presente em Vladimir Carvalho, a professora Dácia, e o Adirley Queirós que retrata a Ceilândia”.

Como diz o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB Benny Schvarsberg, a contradição central de Brasília e suas satélites é acomodar a modernidade do Plano Piloto e sua representação em forma de avião contra um cerco periférico que pode ser simbolizado pela carroça.

Mais do que uma coexistência de mundos distintos, o urbanista destaca que há na verdade uma interdependência entre, de um lado, a Brasília rica e idealizada e, por outro lado, áreas suburbanas com escalas territoriais definidas pelo poder de compra e que funcionam em grande medida como núcleos dormitórios dos trabalhadores que se deslocam diariamente para o Plano.

“Apesar de profundamente desiguais e de pertencerem aparentemente a diferentes épocas (moderna e remota), não é à toa que avião e carroça estão lado a lado no mesmo território e na mesma época; são interdependentes e não estão simplesmente um ao lado do outro, numa espécie de coexistência congelada, mas se articulam, se combinam e se amalgamam, configurando um todo, espacialmente contínuo e profundamente heterogêneo: o território metropolitano”, escreve Benny no artigo A carroça ao lado do avião: o direito à cidade metropolitana em Brasília. Ele conclui que “a dinâmica urbana e metropolitana construída historicamente em Brasília nas últimas cinco décadas ergueu uma urbanização sem urbanidade”.

Serviço

Mostra de curtas Brasília 66 anos

Data: toda quarta-feira, às 12h, até o dia 29 de abril

Local: Auditório da BCE, 1º subsolo da Biblioteca Central da UnB.

Mais informações nas redes sociais do cineclube (neste link)

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