A Brasília completa 66 anos nesta terça-feira (21), data que coincide com o Dia de Tiradentes, em homenagem ao inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, símbolo da luta por liberdade no país. Planejada para representar o futuro e a integração nacional, a Capital nasceu como projeto político e urbanístico no governo de Juscelino Kubitschek e segue, décadas depois, como centro das decisões e tensões do Brasil contemporâneo.
Imagem mostra estaca do Marco Zero de Brasília | Foto: Arquivo Público do DFErguida em tempo recorde no coração do país, Brasília nasceu como símbolo de modernidade e integração nacional. A transferência da Capital do litoral para o interior era um projeto antigo, concretizado durante o governo de Juscelino Kubitschek sob o lema “cinquenta anos em cinco”.
O plano urbanístico ficou a cargo de Lúcio Costa, vencedor do concurso que definiu o traçado da cidade. Já os edifícios monumentais foram projetados por Oscar Niemeyer, cuja arquitetura marcou a identidade estética da nova capital.
Urbanista que planejou Brasília, Lucio Costa (à direita) e o presidente JK (à esquerda). — Foto: Arquivo Público-DF/DivulgaçãoA construção mobilizou milhares de trabalhadores vindos de diversas regiões do país. Conhecidos como “candangos”, esses operários foram responsáveis por erguer, em condições precárias, a estrutura da cidade inaugurada em 21 de abril de 1960.
Os candangos e a cidade
Enquanto o projeto previa uma cidade organizada e funcional, a realidade social tomou outro rumo. Os trabalhadores que construíram Brasília não foram plenamente incorporados ao plano original e acabaram formando cidades ao redor do Plano Piloto.
Essas regiões cresceram de forma desigual, revelando um contraste persistente entre o centro planejado e a periferia. A capital que nasceu como símbolo de integração passou a refletir também desigualdades sociais históricas do país.
Caminhão transporta operários para obra em Brasília | Foto: Arquivo Público do DF/Fundo Novacap/Divulgação
Operários tomam café da manhã em Brasília | Foto: Arquivo Público do DF/DivulgaçãoDo poder central à ditadura
Poucos anos após sua inauguração, Brasília tornou-se o epicentro de um dos períodos mais turbulentos da história nacional: o regime instaurado após o Golpe de 1964.
Durante a ditadura, os edifícios projetados para simbolizar a democracia abrigaram decisões autoritárias. O Congresso Nacional foi fechado em momentos distintos, e a capital consolidou-se como centro do poder político, mesmo sob restrição de direitos.
Congresso Nacional, em Brasília, em 1964, quando ocorreu o golpe da ditadura militar | Foto: Arquivo/Agência O GloboRedemocratização
Com o fim do regime militar, Brasília voltou a ser palco de mobilizações populares e decisões institucionais relevantes. A Constituição de 1988 marcou a retomada democrática, consolidando a cidade como centro político do país.
Desde então, a capital tem sido cenário de manifestações, crises políticas e mudanças de governo, refletindo tensões da sociedade brasileira.
Estudantes da UnB são detidos pela polícia dentro do campus em agosto de 1968, na ditadura militar | Foto: Arquivo Central/AtoM/UnB
Crises recentes
Nas últimas décadas, Brasília esteve no centro de episódios que evidenciam instabilidade política. Processos de impeachment, investigações de corrupção e disputas entre os Poderes marcaram a dinâmica institucional do país.
O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, deixou o cargo em março de 2026 em meio a investigações relacionadas ao chamado “Escândalo Master”, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco de Brasília (BRB), incluindo a compra do Banco Master e possíveis desvios de recursos. Durante a crise, ele transferiu o comando do governo para Celina Leão.
O governador Ibaneis Rocha (MDB) entregou o cargo à vice, Celina Leão (PP), no dia 30 de março de 2026, em meio a desgastes da compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília) e incertezas sobre a sucessão no governo do Distrito Federal | Foto: Divulgação
Antes disso, após os atos de 8 de janeiro de 2023, Ibaneis já havia sido afastado do cargo por 90 dias por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, sob a justificativa de possível omissão na segurança pública.
O episódio, marcado pela depredação das sedes dos Três Poderes na Praça dos Três Poderes, expôs o grau de tensão política e institucional no país.
O 8 de janeiro, para além da politização e da cooptação, revelou um fenômeno novo: a radicalização de policiais e militares | Foto: Wilton Júnior/Estadão
Oscar Niemeyer, arquiteto dos edifícios monumentais de Brasília | Foto: Arquivo Público do DFBrasília hoje
Aos 66 anos, Brasília permanece como centro das decisões políticas do Brasil e símbolo institucional do país. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios urbanos e sociais, especialmente fora do plano original.
A cidade preserva o legado arquitetônico de Niemeyer e o conceito urbanístico de Lúcio Costa, enquanto convive com contrastes entre planejamento e crescimento real.
Mais do que capital, Brasília segue como expressão das transformações políticas, sociais e históricas do Brasil.
No coração do Brasil, a “Cidade do Futuro” planejada se destaca pela liderança em inovação e alta qualidade de vida | Foto: DivulgaçãoA cidade (Brasília) no Brasil planejada que virou referência em viver bem com liderança em inovação e qualidade de vida no coração do país | Foto: depositphotos.com / Eduardo1304
