Carca de 7 mil indígenas reunidos na 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), em Brasília, aprovaram nesta sexta-feira (10 de abril) uma carta aberta de apoio à reeleição do presidente Lula da Silva.
Coordenado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o movimento avalia que a eleição de 2026 coloca o país diante de uma disputa direta entre o “retorno de um projeto de morte e a continuidade de um campo democrático”.
Na democracia, os indígenas consideram que podem seguir organizados para disputar os “rumos da sociedade e fortalecer a vida”.
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Sem citar o governo de Jair Bolsonaro, a carta diz que essa força política deixou marcas profundas.
“Paralisou demarcações, incentivou violências e operou uma política genocida, agravada com a pandemia da Covid-19. Esse projeto segue organizado e busca retomar o poder com a mesma base de atuação”, afirmam os indígenas.
Também sem citar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, que ofereceu nos Estados Unidos as terras raras e minerais críticos do país, a ATL afirma que a candidatura “se expressa na tentativa de entregar riquezas estratégicas a interesses estrangeiros”.
“Declarações sobre a entrega de terras raras ao regime autoritário de Donald Trump apontam esse caminho. Esse mesmo regime já atuou militarmente, neste ano, na Venezuela para roubar o petróleo existente na Amazônia. Essa disputa incide diretamente sobre nossos territórios”, considera.
“Hoje existem mais de 5 mil pedidos de exploração mineral na Amazônia, sendo mais de 1.300 sobre terras indígenas, como aponta o relatório ‘Desmascarando o Lobby Mineral em Terras Indígenas no Brasil’, da Apib, lançado no ATL 2026. Para nós, povos indígenas, soberania é demarcar todas as terras indígenas e garantir a proteção física e cultural dos nossos povos”, diz outro trecho do documento.
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“Nosso apoio não é cego”
Apesar do apoio, os indígenas explicam que vão seguir com autonomia para cobrar e pressionar politicamente os rumos das decisões que afetam suas vidas.
“O que queremos está colocado com nitidez e precisa ser assumido como política de Estado. A demarcação de todas as terras indígenas deve ser tratada como base da soberania nacional, com garantia de proteção e desintrusão dos territórios”, dizem.
Para eles, esse caminho deve avançar junto com o “fortalecimento das políticas indígenas, com estrutura, orçamento e governança permanente, assegurando a vida, a segurança e o bem-viver nos territórios”.
Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
