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Xiong’An: a “Brasília” chinesa
Em abril de 1960 foi fundada Brasília, a atual capital do Brasil que se tornou um marco histórico do urbanismo, cocriada pelo urbanista Lúcio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer, sendo este último responsável por garantir que cada edifício estivesse em harmonia com o desenho da cidade. Já a capital da China, Beijing, é uma cidade antiga com uma longa história que engloba várias dinastias monárquicas e também a China republicana. O planejamento urbano de Beijing não é tão rigoroso quanto o de Brasília em relação à forma e à localização das construções privadas, mas seu zoneamento urbano, bem como as edificações públicas, sempre obedeceu diretrizes rigorosas. A Cidade Proibida, o Eixo Central e os antigos muros e portões da cidade são prova disso. Quando Brasília se preparava para celebrar seu 57º aniversário, o presidente chinês Xi Jinping anunciou a construção da Nova Área de Xiong’an, na província de Hebei, com o objetivo de resolver o problema do crescimento excessivo da capital chinesa, com quase 24 milhões de habitantes. Construção da “Brasília chinesa”
Uma população enorme cria muitos problemas, como congestionamentos, poluição e aumento do custo de vida — mas como limitar o crescimento de uma megacidade? A China adotou uma solução inovadora e única: construir uma nova cidade planejada, a Nova Área de Xiong’an, na província de Hebei. Ao contrário de Brasília, Xiong’an não foi criada para ser uma nova capital, mas sim uma cidade auxiliar, destinada a aliviar Beijing de funções não essenciais para seu funcionamento como capital do país. Mas Xiong’an também tem outro papel importante: contribuir para o desenvolvimento coordenado da região Beijing-Tianjin-Hebei, tornando-se um modelo de integração regional e ajudando a redistribuir recursos e população para criar um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável. Xiong’an foi planejada como uma cidade inteligente e ecológica do futuro.
Em abril de 1960 foi fundada Brasília, a atual capital do Brasil que se tornou um marco histórico do urbanismo, cocriada pelo urbanista Lúcio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer, sendo este último responsável por garantir que cada edifício estivesse em harmonia com o desenho da cidade.
Já a capital da China, Beijing, é uma cidade antiga com uma longa história que engloba várias dinastias monárquicas e também a China republicana. A cidade trocou de nome e foi destruída e reconstruída diversas vezes.
O planejamento urbano de Beijing não é tão rigoroso quanto o de Brasília em relação à forma e à localização das construções privadas, mas seu zoneamento urbano, bem como as edificações públicas, sempre obedeceu diretrizes rigorosas. A Cidade Proibida, o Eixo Central e os antigos muros e portões da cidade são prova disso.
Quando Brasília se preparava para celebrar seu 57º aniversário, o presidente chinês Xi Jinping anunciou a construção da Nova Área de Xiong’an, na província de Hebei, com o objetivo de resolver o problema do crescimento excessivo da capital chinesa, com quase 24 milhões de habitantes.
Construção da “Brasília chinesa”
Uma população enorme cria muitos problemas, como congestionamentos, poluição e aumento do custo de vida — mas como limitar o crescimento de uma megacidade? A China adotou uma solução inovadora e única: construir uma nova cidade planejada, a Nova Área de Xiong’an, na província de Hebei.
Ao contrário de Brasília, Xiong’an não foi criada para ser uma nova capital, mas sim uma cidade auxiliar, destinada a aliviar Beijing de funções não essenciais para seu funcionamento como capital do país. Isso significa que diversas sedes de empresas estatais, instituições de pesquisa científica, universidades e indústrias de alta tecnologia estão sendo transferidas para Xiong’an.
Mas Xiong’an também tem outro papel importante: contribuir para o desenvolvimento coordenado da região Beijing-Tianjin-Hebei, tornando-se um modelo de integração regional e ajudando a redistribuir recursos e população para criar um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.
Xiong’an foi planejada como uma cidade inteligente e ecológica do futuro. Apenas 30% de sua área é destinada ao desenvolvimento urbano, enquanto o restante é composto por florestas, recursos hídricos e parques. A cobertura florestal aumentou de 11% para 35% desde 2017.
Além disso, Xiong’an possui o status especial de “Nova Área de Nível Nacional”. Isso significa que é um projeto estratégico comparável à Zona Econômica Especial de Shenzhen, na província de Guangdong, e à Nova Área de Pudong, em Shanghai. Esse status concede ao seu comitê administrativo maior poder do que o de um governo municipal comum, especialmente em questões econômicas e sociais.
Em 2024, a população permanente de Xiong’an atingiu 1,36 milhão de pessoas. A cidade atraiu mais de 400 filiais de estatais, além de centenas de empresas de alta tecnologia. No entanto, grande parte da cidade ainda está em construção, o que lhe confere uma aparência semelhante à de Brasília quando foi inaugurada.
Minha visita a Xiong’an
Eu já morava em Beijing quando o presidente Xi Jinping anunciou a criação da Nova Área de Xiong’an. Alguns anos depois descobri que o novo aeroporto de Daxing, em Beijing, fica próximo a Xiong’an e serve as duas cidades.
Ao pesquisar horários de trem para Xiong’an, descobri que alguns partem da Estação Oeste de Beijing, enquanto outros partem do aeroporto, mas atualmente todos eles param no aeroporto, que fica no caminho, tornando a viagem conveniente para quem chega de avião vindo de qualquer lugar do mundo.Ao chegar à cidade, tive a primeira surpresa: uma enorme estação ferroviária no meio do nada. Nos arredores, tudo está em construção. Segui as placas da estação para pegar um táxi, mas no caminho funcionários me pararam e explicaram que eu deveria sair pelo outro lado.
Eu estava acompanhado de Iara Vidal, jornalista que nasceu e cresceu em Brasília. O táxi nos levou a outro distrito, já habitado e com empresas em funcionamento. Lá visitamos o Centro de Planejamento Urbano, onde há explicações detalhadas sobre o conceito da cidade, sua construção e os planos para o futuro.
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No local, é possível pedalar virtualmente pela cidade, ver maquetes e interagir com telas e máquinas. Do lado de fora, pude apreciar os belos edifícios recém-construídos e desfrutar da tranquilidade desta cidade que, apesar de sua grande população, mantém um clima de cidade pequena, com pouco tráfego e silêncio.Caminhamos dois quarteirões até um shopping center, onde almoçamos em um excelente restaurante coreano. Encontramos até uma sorveteria especializada em sorvetes com café, com um anúncio de que o café servido ali é proveniente do Cerrado brasileiro — justamente o bioma do entorno de Brasília.
A cidade ganha vida e população
Iara me contou que seu pai trabalhou na construção da capital do Brasil, e ela cresceu ouvindo suas histórias sobre como a cidade era nos seus primeiros anos. Em Xiong’an, essas histórias lhe vinham à cabeça o tempo todo, pois visitar Xiong’An hoje é uma experiência comparável à de visitar aquela Brasília dos anos 1960: um grande canteiro de obras de onde nasce uma grande cidade.
Após o almoço, encontramos muitas pessoas na praça: jovens se divertindo, crianças brincando e moradores interagindo. Peguei a câmera e comecei a registrar esse momento, para mim o mais interessante da viagem: Xiong’an já é uma cidade cheia de vida.
Quase todas as pessoas ali são trabalhadores migrantes, mas naquela praça vi bebês e crianças muito pequenas — os primeiros nativos de Xiong’an. São os primeiros a conhecê-la desde cedo como seu lar. Os primeiros que irão amar essa cidade como sua terra, o lugar de suas doces memórias de infância.
A próxima parada foi o lago Baiyang, o maior lago de água doce do norte da China, essencial para a ecologia da Nova Área de Xiong’an. No caminho, passamos por uma antiga vila rural, onde os moradores mantém seu estilo de vida tradicional, alheios à moderna cidade sendo construída logo ao lado.Diferentemente do lago Paranoá, em Brasília, que é artificial, o lago Baiyang é natural e tem uma longa história. Hoje, seu ecossistema está melhor protegido e o turismo também se desenvolve: são oferecidos passeios de barco e atividades esportivas e de lazer.
À beira do lago, uma família fazia um piquenique. Perto dali, alguns vendedores ofereciam comida e artesanato. Em frente ao novo Centro Turístico, duas mulheres tiravam fotos entre as flores dos pessegueiros, enquanto atrás do prédio um grupo de moradores de meia-idade se divertia com karaokê.Já era hora de voltar à estação e pegar o trem para Beijing. No caminho, o carro passou pela área onde estão sendo construídas as modernas sedes das estatais chinesas. Pelas avenidas cercadas de tapumes circulavam caminhões carregados de concreto e ferro — o alimento que nutre a nova cidade em crescimento.
* Rafael Henrique Zerbetto é editor estrangeiro do Centro Ásia-Pacífico do China International Communications Group. Jornalista brasileiro, reside em Pequim, capital nacional da China, há mais de dez anos.
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