Indígenas de diversas regiões do país se reuniram em Brasília para a 23ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), que teve início no dia 5 de abril e segue até o dia 11 de abril no Eixo Cultural Ibero-Americano, no coração da capital federal.
Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o evento é reconhecido como a maior mobilização indígena do país. Os organizadores estimam a participação de 7 mil a 8 mil pessoas, entre indígenas e apoiadores não indígenas, ao longo dos dias de atividades.
O ATL funciona como um espaço crucial para discutir a defesa dos territórios indígenas e denunciar violações de direitos. Nos últimos anos, as pautas do encontro se expandiram para abordar temas como a participação política dos povos originários, a crise climática e a defesa da democracia, sem perder o foco central na luta pelo reconhecimento estatal dos direitos territoriais.
Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib, expressou a expectativa de que o governo federal anuncie a criação de novas terras indígenas durante o evento, destacando a urgência de avanços após períodos de estagnação em gestões anteriores.
De acordo com dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, o governo homologou 20 novos territórios, abrangendo cerca de 2,5 milhões de hectares em 11 estados. Apesar disso, aproximadamente 110 áreas ainda aguardam análise para demarcação.
Tuxá enfatizou que a garantia territorial permanece como um desafio central, especialmente em um contexto de violência e vulnerabilidade que afeta muitas comunidades indígenas em seus territórios.
O evento também marca o início do Abril Indígena, período de mobilização nacional voltado para questões como investimentos em saúde e educação para os povos originários. Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o ATL 2026 busca chamar a atenção para essas demandas.
Atividades como caminhadas pela Esplanada dos Ministérios estão previstas, com destaque para uma marcha marcada para o dia 7 de abril, que protesta contra projetos legislativos considerados ameaças aos direitos indígenas, como a liberação da mineração em terras protegidas e a tese do marco temporal.
Outro ponto de debate no acampamento são as eleições de 2026. A Apib está promovendo a Campanha Indígena, uma iniciativa para incentivar candidaturas de lideranças indígenas em partidos alinhados ao movimento, com o objetivo de ampliar a representação no Congresso Nacional.
Participantes como Cotinha de Sousa Guajajara e Oziel Ticuna reforçaram a relevância do ATL como um momento de organização coletiva e de afirmação das culturas e identidades indígenas diante dos desafios políticos e sociais.
Conforme noticiado pelo portal Carta Capital, o Acampamento Terra Livre se consolida como um espaço de resistência e articulação, onde os povos indígenas buscam visibilidade para suas lutas e pressionam por mudanças concretas nas políticas públicas que os afetam diretamente.
