Tirando o Volkswagen Fusca, outro modelo que vem atraindo cada vez mais a atenção de colecionadores é a Brasilia. O carro elevado ao posto de perua só para pagar menos impostos surgiu em 1973 como uma opção mais espaçosa ao ‘irmão’ mais velho.
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Para garantir o sucesso do Fusca, a Volkswagen adotou a mesma receita simples e confiabilidade na manutenção do velho motor boxer a ar. A cereja do bolo estava no espaço interno melhor aproveitado, por conta da adoção de um chassi exclusivo.
Com isso, a Brasilia tinha argumentos de vendas contra o Chevrolet Chevette e Dodge 1800 (depois nomeado de Polara), também estreado em 1973. Apesar de o projeto ter dado muito certo, a Volkswagen Brasilia teve uma vida curta, de menos de 10 anos, mas isso não impediu a soma de mais de um milhão de unidades vendidas. Este belo exemplar de Brasilia, fabricado no penúltimo ano (1981), é um raro colecionável que foi vendido pelo Reginaldo de Campinas.
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A aparência é de um carro zero-quilômetro, com todos os vidros originais sem riscos ou manchas, tapeçaria em perfeito estado e a parte elétrica toda cuidada, 100% operacional, sem falhas. Já o motor 1600 boxer a ar de 65 cv tem um funcionamento linear e suave.
“É um modelo ‘na caixa’, sem qualquer retoque de pintura ou pneus trocados, e com seus 13 mil km de história para contar”, conta Reginaldo Ricardo Gonçalves, o conhecido e respeitado Reginaldo de Campinas.
VW Brasilia 81 está como nova, até com os pneus originais de fábrica, que não são radiais como os vendidos atualmenteImagem: Reprodução/Reginaldo de CampinasCom relação a valores, fica complicado estipular, pois sabemos que no mundo do antigomobilismo, vale o princípio econômico básico da clássica lei da oferta e da procura. O fato é que a Volkswagen Brasilia tem atraído cada vez mais a atenção, inclusive de colecionadores de fora, em especial os norte-americanos.
Um exemplar como este do Reginaldo de Campinas, que nunca sofreu nenhum tipo de intervenção que denigra a originalidade do veículo, podemos afirmar com convicção que deve valer em média entre R$ 130 mil e R$ 180 mil, o suficiente para comprar um SUV compacto T-Cross novinho em folha, da linha 2026.
“Aqui nos EUA, trabalhamos com diversos modelos, incluindo os brasileiros, e vejo que o norte-americano tem demonstrado grande interesse por estes veículos, em especial os aircooled”, comenta João Siciliano, da loja Siciliano Company.
UMA CURTA HISTÓRIA DE SUCESSO
VW Brasília lançada em 1973 como uma opção mais espaçosa que o Fusca, mas com preço atraente Imagem: DivulgaçãoA história da Volkswagen Brasilia começou em 1973, com a missão de substituir por aqui o velho Fusca, o que não aconteceu. Mas isso não impediu de ocupar a segunda posição entre os carros mais vendidos do Brasil nos anos de 1974 a 1979.
Um caso curioso ocorreu durante a fase de testes, quando a Brasilia estava sendo testada nos arredores da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP). O fotógrafo Claudio Laranjeira, da Quatro Rodas, fez algumas fotos do segredo, provocando a ira dos seguranças. Frustrados, começaram a atirar contra o carro do profissional. O caso causou bastante comoção, o que levou a própria fabricante a pedir desculpas publicamente.
Embora o Besouro ainda fosse sucesso de vendas, a Brasilia reforçaria a briga contra os rivais, como o Chevrolet Chevette, que também havia acabado de ser lançado. Outro motivo de orgulho para ela é que, junto ao esportivo VW SP2, foi um dos primeiros veículos projetados fora da matriz alemã, ambos assinados pelo designer Márcio Piancastelli.
A Brasilia, apesar de ser menor em relação ao Fusca em 17 cm no comprimento, possuía o espaço interno muito melhor aproveitado. O truque para isso estava no motor 1600 de ventoinha vertical emprestado do VW 1600 4 portas e não o chamado “motor chato” que equipava a Variant e o TL. Com essa configuração, permitiu-se que os engenheiros pudessem posicionar o banco traseiro mais próximo do conjunto mecânico, ancorado na traseira.
As primeiras unidades da Brasilia vinham com o motor 1600 refrigerado a ar, alimentado por um carburador (Solex 30), que fornecia a potência de 60 cv e torque de 12 kgfm a 3.000 rpm, transmitidos às rodas traseiras.
Em companhia do câmbio de quatro marchas, isso representava um 0-100 km/h em longos 20,2 segundos e uma velocidade final de 130 km/h. O consumo também não era dos melhores. Fazia 8,9 km/l na cidade e 11 km/l na estrada.
Volkswagen Brasilia 1982 da última série nunca usada saiu da linha de montagem e foi direto para o museu da fábricaImagem: Divulgação/VolkswagenA resposta só veio em 1976, quando passou a ser alimentado por dois carburadores (Solex 32), garantindo 65 cv brutos de potência. Na prática, ele ganhou em desempenho e, principalmente, na economia de combustível. No entanto, a versão com um só carburador ainda era ofertada até ser dizimada aos poucos por conta da baixa procura.
Em 1978, junto a algumas mudanças, como emblema, novo capô, para-choques e lanternas traseiras, veio a configuração com quatro portas, cujo mercado ficou restrito aos taxistas. Fora isso, esta versão já havia sido exportada para a África do Sul e outros países vizinhos.
Em 1980, com a crise do petróleo dominando os holofotes, a Volkswagen seguiu os passos da Fiat com o pequeno 147 movido a álcool. O motor mantinha os quatro cilindros opostos a ar, mas era estrangulado em 1.300 cc, o que rendeu apenas 49 cv de potência.
Não fosse a decisão de tirá-la de circulação, os números poderiam ter sido melhores. A atitude, inclusive, gerou controvérsia, visto que o Fusca era um projeto mais antigo e, portanto, também cotado para ser descontinuado. O VW Gol foi uma das razões do encerramento da história da Brasilia em nosso mercado.
BRASILIA NAS PISTAS
VW Brasília de competição pilotada por Ingo Hoffmann no início dos anos 70, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo Imagem: Reprodução/FacebookO piloto brasileiro Ingo Hoffmann chegou a correr com a Brasilia da equipe Creditum, na extinta Divisão 3, e ganhou o Campeonato Paulista de 1974 na Classe A, que tinha como regra veículos equipados com motores de até 1.600 cm³.
O carro também participou do World Cup Rally nas mãos de Cláudio Mueller e Carlos Weck, também em 1974. A partida, considerada complexa devido à alta resistência exigida, iniciou-se em Londres, passou por diversos outros países e terminou em Munique, na Alemanha.
