Memória viva
Welington Moraes embargou a voz ao lembrar o amigo de uma vida
25/03/2026 19:32 | Atualizado 25/03/2026 20:00
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Wellington Moraes e o saudoso colega jornalista Paulo Pestana: coisa boa é ter amigos.
Camila Calazans
Há pouco mais de dois anos, Brasília perdeu um dos mais gentis e talentosos jornalistas. A cidade parou para chorar a partida do querido Paulinho Pestana. Tranquilo e conciliador, estava sempre pronto para ouvir e sempre encontrava uma forma serena de mediar ou resolver qualquer crise. Nem sei quantas vezes recorri ao Paulinho e, até hoje, em alguns momentos, ainda penso em ligar para pedir opinião. Paulinho fez histórias. Mais do que isso, construiu histórias nas pessoas.
Paulinho partiu de repente. Deixou a família, deixou amigos e deixou também o Welington, nosso querido e amado Baiano. Como ele mesmo diz, perdeu o amigo de uma vida, de jornada, de parceria e cumplicidade.
Hoje, na inauguração da Praça Paulo Pestana, no Lago Norte, criada em homenagem ao jornalista que marcou a história de Brasília, vi pela primeira vez o Welington em um palanque para fazer um discurso. Ele, que é sempre tão discreto, subiu com a voz embargada. O jornalista que passou a vida escrevendo discursos não encontrou palavras para falar do amigo. Contou que estudaram juntos na faculdade e, com os olhos marejados, relembrou o início de tantas caminhadas que tiveram a chance de dividir. E repetiu, com um orgulho que não cabia no peito, “meu amigo Paulinho”. Foi lindo de ver. Lindo de ouvir.
A nova praça, instalada no canteiro central da SHIN QI 9/10, reúne urbanização, paisagismo e, acima de tudo, reconhecimento. É um gesto de memória e respeito a um dos grandes nomes da comunicação da capital.
E todos que tiveram a chance de testemunhar essa amizade foram, sem dúvida, privilegiados por ver de perto algo tão raro e verdadeiro. Porque amizade de verdade não se constrói apenas nos momentos fáceis. Ela nasce na rotina, nas conversas despretensiosas, nos dias bons e, principalmente, nos dias difíceis. É presença constante, é lealdade silenciosa, é aquele tipo de vínculo que dispensa explicação.
Welington e Paulinho tinham isso. Uma conexão rara, dessas que não se rompem com a ausência física. Porque há amizades que continuam existindo no jeito de falar, nos conselhos que ecoam, nas lembranças que chegam sem aviso e no orgulho que permanece intacto.
Talvez seja isso que mais emocione: entender que algumas pessoas não vão embora por completo. Elas seguem vivas naquilo que deixaram em nós, nos valores, nas histórias e nos afetos. No fim das contas, é isso que fica.
Num mundo tão apressado, tão dividido e tantas vezes superficial, amizades como a de Welington e Paulinho nos lembram do que realmente importa. Ter sucesso é bom. Ter reconhecimento é importante. Mas ter alguém que você possa chamar, com verdade, de meu amigo, isso é coisa rara. E é, sem dúvida, uma das melhores coisas da vida.
