Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
Noticiário Brasilia
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
Noticiário BrasiliaNoticiário Brasilia
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Governo

Nicolas Behr lança novo livro neste sábado

12 de março de 2026
Compartilhar

Na virada da década de 1970 para 1980, os Concertos Cabeças contribuíram para a afirmação de uma geração de artistas na cidade: Cássia Eller, Hugo Rodas, Guilherme Reis, Clodo e Clésio Ferreira e Galeno são alguns dos nomes que foram impactados pelo movimento. No começo, entre 1978 e 1979, montava-se um palco todo último domingo do mês aos fundos da Galeria Cabeças, do ator e produtor cultural Néio Lucio, nos gramados da 311 Sul. Funcionava como ponto de encontro para que os jovens pudessem aproveitar a música e a literatura. Depois, entre 1980 e 1981, os Concertos foram transferidos para um auditório a céu aberto no Parque da Cidade. 
Dessa geração também surgiu o poeta Nicolas Behr, que, há cerca de 15 anos, começou a idealizar uma homenagem aos artistas que participaram dos Concertos Cabeças e não estão mais aqui. Reuniu, no livro Cabeças não morre!, que será lançado em evento neste sábado, de 16h às 22h, no Bar Beirute (109 Sul), 39 minibiografias. O objetivo, explica Behr, era “informar e emocionar”. “Quem foi, onde nasceu, nome completo, o que estudou, onde trabalhou e colocar uma memória afetiva minha. Queria um rosto humanizado”, diz. 
Ao Correio, Behr lembra como foi participar dos Concertos, o legado que essa geração deixa e como decidiu conduzir a homenagem no livro. 
Entrevista //Nicolas Behr, poetaComo foi a sua vivência  durante esse período?

Foi uma vivência muito boa, porque éramos todos jovens, disponíveis e tudo conspirava a favor. Estávamos descobrindo a fase da juventude, com esse entusiasmo e tudo de forma espontânea. Foi uma coisa geracional que tentei retratar nesse livro.  Foi a primeira vez que uma geração de artistas jovens orgulhou-se de Brasília, teve amor por Brasília e Brasília virou musa. Acho que marcou muita gente. Foi um marco e uma coisa importante na história cultural da cidade, esses Concertos Cabeça. 
Qual a importância do projeto Cabeças para você e para Brasília?
Para mim, foi encontrar minha turma. Muita gente encontrou sua turma e eu me encontrei. Era um espaço de manifestação artística, a poesia ali no palco. E para a cidade foi importante, porque era a Brasília menos urbs e mais civitas, como digo no livro. Mas acho que foi uma afirmação de uma cidade que não é só o poder. Foi uma geração muito inquieta, subversiva, instigante, instigadora e rebelde.
É uma manifestação de uma Brasília que muita gente não conhece até hoje, que tem esse estigma do poder. Foi a primeira manifestação de uma juventude protestando contra essa imagem que algumas pessoas têm e tinham, de que Brasília é só poder, mas isso melhorou bastante. Na época, havia poucas manifestações e hoje Brasília já carrega uma história e começa a se dissociar da imagem do poder. 

Qual legado esse movimento deixou? 
Muita coisa começou ali, muitos encontros. Acho que o legado é testemunho de uma época que foi um marco obrigatório na cultura da cidade, de muitas carreiras que começaram ali e, muitas vezes, foi a primeira oportunidade de artistas para mostrar sua arte. Muitos talentos se revelaram. Era mais uma celebração, era nosso pequeno Woodstock candango, da juventude classe média do Plano Piloto. Porque a juventude dessa época se separava entre boyzinhos de classe média alta ou classe alta e nós, que éramos a parte mais rebelde. Porque a classe alta ia para as boates do Gilberto Salomão, que eram uma muito populares, corridas clandestinas de carro. Intelectuais é uma palavra pesada, mas éramos ‘anti boys’.
Como construiu o livro?
Era um projeto antigo que vinha sendo alimentado há muito tempo. Há 10, 15, anos que já queria fazer isso, fazendo listas. E em julho do ano passado tive uma operação e fiquei de resguardo por 20 dias e, nos 10 últimos, esse livro começou a ser escrito. Mas começou a ser pensado em 2010. Era uma ideia antiga que concretizei, não apareceu num instante.

Tinha minha lista de pessoas que me marcaram e marcaram também a cultura de Brasília. Conheci todos e alguns tive uma aproximação muito grande, outros menos, mas é uma homenagem a essas pessoas, porque corre o risco de virarem mitos. Por exemplo, Hugo Rodas ainda está muito fresco na memória das pessoas, mas daqui 50 anos muitas pessoas vão duvidar, então queria dizer que existiu, quando nasceu, morreu e o que fez. 
Fiquei feliz quando escrevi o livro porque são pessoas importantes na cultura de Brasília, muito atuantes, e eu tive a felicidade de pegar as fotos, checar as biografias com parentes, amigos ou descendentes. Houve um esforço muito grande, foram 55 colaboradores a quem agradeço, muita gente que ajudou com a maior boa vontade.
Tenho uma alma de detetive, fui atrás de parentes, amigos, viúvas… É quase um livro coletivo e fiz questão de colocar o nome de todo mundo que ajudou. Para essa geração mais jovem é interessante, porque são pessoas que marcaram a cultura da cidade e que partiram, mas estão presentes não só na memória, como também na formação de teatro, literatura e música, como Clodo Ferreira, meu amigo muito próximo. Então é isso: queria ressaltar que fiquei feliz. 
O legado do projeto Cabeças está se perdendo?

Não, porque tem uma outra publicação sobre a geração, tem site, mas outros acontecimentos vão passando por cima. Mas o livro é o melhor suporte para informação para a literatura, arte e criação. O melhor suporte é o papel, porque essas coisas da internet vão sumir, a nuvem vai sair do lugar, chover e evaporar. Existe a coisa da memória coletiva, marcou muita gente e, quando me veem na rua, falam. Outras coisas vão acontecendo, mas aí vão resgatando livro, site, documentário, tem muita coisa na internet. 
O Clodo Ferreira está aqui, muito próximo na minha vida. Todos estão na minha vida, o Clodo, em 1980, conseguiu meu primeiro emprego, foi padrinho do meu casamento, sempre nos falávamos muito. Me emocionei muito em escrever sobre ele. Mas tem pessoas menos conhecidas, como Aloísio Batata, que morreu muito jovem, com 22 anos. Um talento do teatro, era um grande cara e fico feliz que alguém vai consultar esses livros para fazer um filme, documentário para saber como foi.
O Ary Para-raios tem uma foto tão bonita no livro, Dimer Monteiro foi meu professor de teatro, professor do Colégio Pré-Universitário, quando eu era adolescente. Galeno era muito próximo. Uma coisa interessante é que o único dessas pessoas que não tocaram no Concerto Cabeças é o Renato Russo, que é o único que tem três páginas e duas fotos.
Então, tem isso também: é porque estavam todos no mesmo clima da geração. Não é um livro de fulano ou siclano, eram pessoas conhecidas, não tão conhecidas e também pessoas próximas. Não foi doloroso fazer o livro, mas me emocionei muito.

*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
Lançamento de Cabeças não morre!
Neste sábado (14), de 16h às 22h, no Bar Beirute (109 Sul). Entrada gratuita; preço do livro a R$30. 

 
Saiba Mais

Nicolas Behr se considera um filhote do projeto Cabeças
Foto: Timo Berger

Sede do movimento Cabeças na 311 Sul: ocupação pacífica da cidade
Foto: Divulgação

Cássia Eller no Concerto Cabeças do Parque da Cidade
Foto: Arquivo pessoal

JCJúlia Costa

Assuntos Governo
Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print
Painel Informe Manaus de Satisfação: Gostou da matéria?
Love0
Angry0
Wink0
Happy0
Dead0

Você pode gostar também

Governo

Brasília Basquete engata terceira vitória consecutiva no NBB

12 de março de 2026
Governo

Encontros de brechós e feiras agitam Brasília neste fim de semana

12 de março de 2026
Governo

Livro “STF por Elas” é lançado em Brasília

12 de março de 2026
Governo

Durante agenda em Brasília, o secretário Vinicius Castello articula parcerias para Pernambuco

12 de março de 2026
Governo

Líder do governo Ibaneis é alvo de operação em Brasília

12 de março de 2026
Governo

BRB estuda transferir gestão operacional de estruturas públicas do DF

12 de março de 2026
Noticiário BrasiliaNoticiário Brasilia