A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) revelou um cenário de empate numérico em um eventual segundo turno à Presidência entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ambos com 41% das intenções de voto.Segundo o analista político Matheus Teixeira, durante o Bastidores CNN desta quarta, o crescimento nas intenções de voto para Flávio Bolsonaro representa uma tendência significativa no cenário eleitoral. “Foi impressionante, os petistas reconhecem isso, a transferência de voto foi automática por causa do sobrenome Bolsonaro”, destacou Teixeira.
O analista observou que as recentes polêmicas envolvendo o Banco Master têm afetado negativamente a imagem do governo atual. “Na cabeça do eleitor médio, se em Brasília tem um escândalo, isso recai sobre o governo de plantão e o governo de momento é o do Lula”, explicou.
Apesar de existirem conexões do caso com figuras da oposição, como doações a campanhas e uso de jatos particulares, Teixeira afirma que o escândalo tem “colado” mais no governo atual.
Polarização cristalizada
A pesquisa também revela um eleitorado altamente polarizado, com apenas 2% de indecisos e 16% que declaram votos brancos, nulos ou que não pretendem votar. “O que aponta a pesquisa é que a polarização que está cristalizada no país de fato é irreversível. Tanto é que apenas 2%, digamos assim, é o eleitorado que dá para brigar”, destacou Teixeira.
Outro ponto relevante é a estratégia de Flávio Bolsonaro de se apresentar como uma versão mais moderada em comparação ao pai.
“Ele mesmo fala, vocês não queriam um Bolsonaro moderado, não reclamavam dos arroubos dele? Pois então, eu estou aqui, eu sou o Bolsonaro que tomou vacina”, comentou o analista, indicando que essa abordagem tem surtido efeito positivo junto ao eleitorado.
O Palácio do Planalto, segundo Teixeira, já mudou sua tática para lidar com a situação e não vai mais esperar o prazo de desincompatibilização para ter certeza sobre potenciais candidatos da oposição. A expectativa no governo é que, com o tempo e o início da campanha eleitoral oficial, seja possível equilibrar a narrativa e reverter o quadro atual.
Apesar das esperanças do governo em utilizar a máquina pública federal a seu favor, como ocorreu em 2014 quando a campanha de Dilma Rousseff conseguiu desconstruir a candidatura de Marina Silva, Teixeira avalia que o cenário agora é diferente.
“O bolsonarismo tem uma base na sociedade muito sólida, a transferência de votos imediata de Jair Bolsonaro demonstrou e deixou claro exatamente isso”, afirmou, destacando que será muito mais difícil desconstruir a imagem de Flávio Bolsonaro.
